Economia

09/05/2020 12:58 madeiraoweb.com.br

Salários; com ou sem reajuste? Uns mais, outros menos, mas em algum ponto, todos vão perder

A previsão de queda brusca na arrecadação e gastos excessivos na área social, saúde e apoio financeiro aos estados e municípios leva governo a vetar reajuste até dezembro de 2021.

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De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a perda do poder de compra já atingiu quatro em cada dez brasileiros desde o início da pandemia.
Do total de entrevistados, 23% perderam totalmente a renda e 17% tiveram redução no ganho mensal, atingindo o percentual de 40%.
Para 10 milhões de brasileiros que trabalhavam com carteira assinada, de acordo com o presidente Bolsonaro, nessa quinta-feira (07), a queda foi de 100%, pois os postos de trabalho não existem mais, e todas essas pessoas, cujo número é perto do total da população de Portugal, estão desempregadas devido à pandemia.
Se levarmos em consideração que, em uma perspectiva otimista, metade dos 38 milhões de trabalhadores informais também estão sem renda, outras 19 milhões de pessoas estão sem ter como custear sua sobrevivência.

Essenciais

Então, ter um emprego ou uma renda integral, já é algo que se pode considerar uma dádiva, especialmente se o profissional não se inclui em áreas de atuação consideradas essenciais e que, portanto, não está em atividade durante a pandemia.
Muitos profissionais da iniciativa privada, além de continuar atuando, tiveram suas rendas reduzidas, caso queiram continuar tendo um emprego.
Esses integram ao grupo de 53% da população que já está endividada.
Diante desse cenário, brigar por reajuste salarial parece incoerente, sobretudo, se o reajuste for para trabalhadores que estão suspensos da atividade por conta da quarentena, mas que mantem o soldo integral.
Mas isso não é o que pensa o parlamento brasileiro, que votou favorável ao reajuste salarial para servidores públicos que atuam em atividades não essenciais e que não estão indo ao trabalho nesse período.

Prejuízos

A deputada federal Jaqueline Cassol (PP-RO), pensa diferente e afirmou que “O congelamento dos salários representa, além de grande injustiça com esses servidores, um tratamento injustificado”. E acrescentou que “ A pandemia do coronavírus já tem trazido uma série de prejuízos econômicos para a vida das pessoas e é nosso dever como representantes do povo garantir que os cidadãos não paguem o preço da crise”, escreveu nas redes sociais.
Ora, será que apenas os servidores se enquadram no conceito “cidadão” para a deputada rondoniense?
O que dizer das 29 milhões de pessoas que estão sem renda por conta da pandemia, citadas no início desse texto?
O que dizer para as dezenas de milhares de empresas que decretaram ou irão decretar falência devido à essa crise?
Não seriam eles cidadãos que estão pagando, e muito caro “o preço da crise”?
A deputada Jaqueline afirmou que a suspensão de algumas atividades não foi escolha dos trabalhadores.
De quem é a culpa?
Embora seja inútil buscar culpado, não seria escapismo culpar o Corona Vírus.
Mas quem é o culpado pelo vírus? A perda de tempo nessa discussão é como discutir quem mapeou as costas do jabuti. No final, tudo não passaria de filosofia de boteco, ou filosofia de Facebook.
A manutenção dos salários integrais dos servidores públicos, dos serviços não essenciais, integralmente é bastante razoável.

Veto

“Há pouco, uma proposta do presidente da Câmara [Rodrigo Maia] era de cortar 25% para todo mundo. O Paulo Guedes decidiu que poderia ser menos drástico, apenas que até dezembro do ano que vem não tivesse reajuste”, disse Bolsonaro, após afirmar que vetaria o reajuste para algumas categorias.
Não ganhar não é o mesmo que perder.
Abrir mão de reajuste salarial, nesse momento, é uma questão de solidariedade, que na concepção da palavra trata do Estado ou condição de duas ou mais pessoas que dividem igualmente entre si as responsabilidades de uma ação, respondendo todas por uma e cada uma por todas; interdependência.
É também o compromisso pelo qual as pessoas se obrigam umas às outras e cada uma delas a todas. É o sentimento de simpatia ou piedade pelos que sofrem.
Assim como a fé sem ação é morta, a solidariedade passiva, sem uma ação ao próximo ou à sociedade, beira ao inútil. A solidariedade requer altruísmo.


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