As exportações de carne bovina do Brasil para os Estados Unidos registraram uma queda dramática de 79,7% entre abril e julho de 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pela ABIEC. A série histórica mostra:

  • Abril: 47,8 mil t
  • Maio: 27,4 mil t
  • Junho: 19,2 mil t
  • Julho (até o dia 20): 9,7 mil t

Essa diminuição ocorre mesmo antes da entrada em vigor, em 1º de agosto, da nova fase do “tarifaço” de 50% imposto pelos EUA, anunciado por Donald Trump em 9 de julho. A medida já inclui um acréscimo temporário de 10% aplicado em abril, além da sobretaxa permanente de 26,4% sobre a carne brasileira.


🇺🇸 Impactos no mercado americano

Essa retração tornou o Brasil menos competitivo no mercado americano, forçando importadores e frigoríficos a recalcular estratégia de exportações. A maior pesa:

  • O aumento tarifário, elevado a cerca de 76,4% no total para carne bovina.
  • A resposta imediata é visível: cancelamento de compras, fracionamento de embarques e queda na demanda de animais vivos pelos frigoríficos brasileiros.

A entidade ABIEC já alerta que, caso a tarifa permaneça, o mercado norte-americano se tornará “inviável” para a carne brasileira.


📈 Consequências mundiais e aumento de preços nos EUA

O colapso das remessas de carne bovina do Brasil tem repercussões globais:

  • Nos EUA, a pressão tarifária aumenta o custo da carne, o que deve elevar ainda mais os preços já recordes – em junho, o preço médio da carne moída foi de US$ 6,12/lb (+12%) e o bife cru, US$ 11,49/lb (+8%).
  • Exportadores tradicionais como Austrália e Nova Zelândia se preparam para capturar a demanda migrante.

🌐 Redirecionamento para outros mercados

Com o colapso do mercado americano, o Brasil vem intensificando vendas para China, maior comprador global de carne bovina, e outras regiões. De janeiro a junho, o país exportou:

  • 713,4 mil t de carne bovina (+17,5% em volume e +27% em valor).
  • Mais de 181 mil t para os EUA, totalizando US$ 1,04 bilhão (+112% em volume e +102% em receita frente a 2024).

O USDA projeta crescimento de 3% nas exportações brasileiras de carne em 2025, fechando o ano com 3,75 milhões de toneladas.

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