Sete caixas contendo centenas de documentos, materiais de propaganda nazista e fichas de filiação a organizações ligadas ao nazismo foram descobertas por acaso nos arquivos da Corte Suprema de Justiça da Argentina. O achado, anunciado neste domingo (11/5), ocorreu durante o processo de criação do museu do tribunal e reorganização de documentos antigos guardados no porão do Palácio da Justiça, em Buenos Aires.
O conteúdo foi revelado na sexta-feira (9/5), quando as caixas foram abertas na presença do presidente da Suprema Corte, Horacio Rosatti, e de representantes do Museu do Holocausto, que agora colaboram na catalogação e preservação do material.
Segundo o jornal Clarín, a inspeção inicial revelou itens como panfletos de propaganda nazista, fotografias e centenas de cadernetas de filiação à Unión Alemana de Gremios, uma organização clandestina com simbologia nazista — entre elas, a suástica envolta por uma engrenagem metálica, símbolo comum em movimentos totalitários da época.
A descoberta reabre um capítulo sensível da história argentina. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, o país se tornou refúgio para centenas de criminosos de guerra nazistas, como Adolf Eichmann e Josef Mengele, com a ajuda de rotas de fuga conhecidas como “ratlines”. Muitos se estabeleceram em solo argentino com identidades falsas, sob beneplácito de setores do governo da época.
Agora, os materiais serão examinados para verificar se podem contribuir para o esclarecimento de fatos relacionados ao Holocausto ou à estrutura de apoio aos nazistas na América do Sul.
A Corte Suprema afirma que o objetivo é garantir a transparência do processo e contribuir para a memória histórica e os direitos humanos.





