A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (27) a Operação Inside Threat, que investiga um esquema de fraude bancária de mais de R$ 11 milhões envolvendo um funcionário da Caixa Econômica Federal. O servidor é suspeito de ter utilizado transferências via Pix não autorizadas para desviar recursos de contas de clientes da instituição.

De acordo com a investigação, os valores teriam sido movimentados por contas de terceiros — muitas ligadas a empresas de apostas — e parte significativa do montante teria sido direcionada para laranjas, que cederam contas bancárias para viabilizar os desvios.

Esquema descoberto por auditoria interna

A ação da PF foi deflagrada com base em informações oriundas de uma apuração interna da própria Caixa, que identificou prejuízo confirmado de R$ 11.111.863,13. O caso foi encaminhado à Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos do Distrito Federal, que coordena as investigações.

15ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do DF autorizou sete mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em Goiás, além de quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático, e o sequestro de bens até o valor do dano causado.

Crimes investigados

Os delitos atribuídos ao investigado incluem:

  • Furto mediante fraude eletrônica (art. 155, § 4º-B do Código Penal);

  • Peculato-furto (art. 312 combinado com o art. 155, ambos do Código Penal);

  • Lavagem de dinheiro (Lei nº 9.613/1998).

A PF também apura se o servidor agiu em conluio com uma rede de colaboradores e laranjas, o que pode caracterizar associação criminosa.

Operação integrada contra fraudes digitais

Simultaneamente, foi executada a Operação “Não Seja um Laranja DF e GO”, que visa desarticular redes de aliciadores e donos de contas bancárias alugadas para movimentação ilícita de dinheiro — uma prática que cresce no país com o avanço das fraudes digitais.

Ambas as ações fazem parte da Força-Tarefa Tentáculos, criada em 2024 a partir de um acordo de cooperação técnica entre a PF e a Polícia Civil do DF. O objetivo é integrar tecnologias e estratégias no combate a crimes cibernéticos e fraudes financeiras.

“O lucro fácil, com a mercantilização da abertura de contas para receber valores de origem criminosa, tem sido o motor de um ecossistema de fraudes bancárias eletrônicas que prejudica inúmeros cidadãos”, afirmou a PF em nota oficial.

A Polícia Federal reforça que denúncias anônimas podem ser feitas através do site oficial da corporação ou pelo telefone 181.

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