A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (27/5), a segunda fase da Operação Fantasos, que investiga um sofisticado esquema internacional de fraude financeira e lavagem de dinheiro envolvendo criptomoedas. O grupo criminoso é acusado de movimentar mais de R$ 1,5 bilhão, enganando milhares de investidores no Brasil e em diversos outros países.

Nesta etapa, os agentes federais cumprem cinco mandados de busca e apreensão em residências e empresas nas cidades de Rio de Janeiro, Niterói, Petrópolis e Duque de Caxias, todas no estado do Rio de Janeiro. A Justiça Federal também autorizou o bloqueio e o sequestro de bens no valor total estimado das fraudes.

Esquema Ponzi disfarçado de fé e carisma

As investigações apontam como principal responsável Douver Torres Braga, que se apresentava como um “missionário e animador carismático”, utilizando discursos motivacionais e apelos religiosos para atrair investidores. Braga criou e liderava uma empresa que, entre 2016 e 2018, arrecadou mais de US$ 295 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão) com falsas promessas de altos rendimentos em investimentos com criptoativos, especialmente bitcoins.

Braga foi preso em fevereiro deste ano, na Suíça, após a emissão de um mandado internacional pela Interpol. Ele é acusado de fraudar mais de 100 mil pessoas, inclusive nos Estados Unidos e no Brasil.

O nome da operação, Fantasos, faz referência à palavra grega que inspira o termo “fantasia”, em alusão às falsas promessas de riqueza rápida feitas aos investidores.

Pirâmides financeiras com criptomoedas: alerta para o público

De acordo com a PF, o modelo de negócio utilizado por Braga seguia os moldes clássicos do esquema Ponzi — onde o dinheiro dos novos investidores é utilizado para pagar rendimentos aos antigos, até que o sistema entre em colapso. Com o avanço do uso de criptomoedas e a dificuldade de rastreio, esse tipo de golpe tem se tornado cada vez mais frequente e sofisticado.

A Polícia Federal e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) alertam: qualquer promessa de retorno financeiro alto e garantido, especialmente em curto prazo, deve ser encarada com suspeita, sobretudo quando associada a termos técnicos sobre criptomoedas sem transparência operacional.

Repressão internacional

A Operação Fantasos conta com o apoio de agências de inteligência financeira internacionais, inclusive dos Estados Unidos e da Suíça. As autoridades trabalham para recuperar os valores desviados e localizar laranjas e empresas de fachada utilizadas para ocultar o patrimônio.

A primeira fase da operação ocorreu em 2022, com foco na coleta de provas e identificação dos envolvidos. Agora, com a prisão do líder e o bloqueio de ativos, a PF avança para tentar indenizar parte das vítimas e desarticular a rede global que sustentava o esquema.

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