A cientista Mariangela Hungria, de 67 anos, se tornou a primeira brasileira a receber o Prêmio Mundial da Alimentação (World Food Prize), considerado o “Nobel da Agricultura”. A honraria reconhece sua contribuição excepcional ao substituir fertilizantes químicos por inoculantes biológicos, promovendo uma agricultura mais sustentável, econômica e limpa.

Há quatro décadas na Embrapa Soja, em Londrina (PR), Hungria desenvolve pesquisas com microrganismos que melhoram a absorção de nutrientes pelas plantas. As tecnologias lideradas por ela já são aplicadas em mais de 40 milhões de hectares cultivados e geram uma economia de até US$ 25 bilhões anuais aos produtores brasileiros, além de evitar a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO₂.

Especialista em fixação biológica de nitrogênio, Mariangela é referência global no tema. Seu trabalho impacta culturas como soja, milho, arroz, trigo e feijão, com grande reflexo na produtividade e sustentabilidade agrícola. Ela também atua como professora nas universidades estaduais e federais do Paraná.

Além do impacto técnico, a cientista celebrou o reconhecimento como um marco para a ciência brasileira e para a visibilidade das mulheres na cadeia alimentar:

“As mulheres têm um papel incrível na produção de alimentos, e muitos desses trabalhos ainda são invisíveis”, destacou.

Graduada em engenharia agronômica pela USP, com doutorado e pós-doutorados no Brasil, EUA e Espanha, Mariangela iniciou sua carreira na Embrapa em 1982. O prêmio será entregue em outubro, na cidade de Des Moines, nos EUA.

A pesquisadora se junta a um seleto grupo de brasileiros laureados, como Alysson Paulinelli e Edson Lobato (2006) e o ex-presidente Lula (2011). É a primeira mulher do Brasil a conquistar o prêmio, em um feito histórico para a ciência nacional.

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