Um estudo inédito do Instituto Nacional de Câncer (Inca), publicado em 2025, revelou o alto custo social e econômico do tabagismo no Brasil. De acordo com a pesquisa, para cada R$ 1 de lucro gerado pela indústria do tabaco, o país gasta cerca de R$ 5 com os impactos provocados pelas doenças relacionadas ao cigarro.
O cálculo inclui não apenas os gastos diretos com o tratamento médico de doenças como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e câncer de pulmão, mas também os custos indiretos, como perda de produtividade, aposentadorias precoces e mortes prematuras.
Um dos dados mais alarmantes do estudo mostra que, para cada R$ 156 mil de lucro obtido pela indústria do tabaco, há uma morte associada ao cigarro por alguma dessas enfermidades.
Prejuízo bilionário para o país
O relatório do Inca, elaborado com apoio do Ministério da Saúde, destaca que o tabagismo representa um dos maiores custos evitáveis para o sistema público de saúde. Estima-se que o país gaste bilhões de reais anualmente para tratar doenças associadas ao fumo, enquanto a arrecadação de impostos da indústria do tabaco não cobre sequer uma fração desses gastos.
Além disso, o estudo aponta que a carga tributária atual sobre os produtos derivados do tabaco está aquém do necessário para compensar os danos causados ao sistema de saúde e à sociedade. Organizações de saúde defendem o aumento dos impostos como uma das formas mais eficazes de reduzir o consumo e, consequentemente, os prejuízos sociais do cigarro.
Impacto coletivo, não apenas individual
Embora muitas vezes tratado como uma questão de saúde individual, o consumo de cigarro gera consequências coletivas, afetando toda a sociedade. “O tabagismo não é um hábito que prejudica só o fumante. Ele impacta a economia, a produtividade, os sistemas de saúde e impõe perdas irreparáveis às famílias”, afirma um trecho do relatório do Inca.
O levantamento reforça a importância de políticas públicas de controle do tabaco, como restrições à publicidade, aumento de impostos, ampliação de programas de cessação e conscientização da população.





