O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta segunda-feira (7.jul.2025) que o Brasil não aceitará “interferência ou tutela de quem quer que seja”, em resposta às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), que saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em publicação na rede Truth Social, Trump classificou como “terrível” o tratamento dado a Bolsonaro no Brasil. Segundo ele, o ex-presidente brasileiro sofre uma “caça às bruxas”, apesar de “não ser culpado de nada, exceto de ter lutado pelo povo”.

Lula rebateu as falas em nota oficial. “A defesa da democracia no Brasil é um tema que compete aos brasileiros. Somos um país soberano. Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja. Possuímos instituições sólidas e independentes. Ninguém está acima da lei. Sobretudo, os que atentam contra a liberdade e o Estado de Direito”, afirmou o presidente.

Apoio a Kirchner gera críticas

Apesar do discurso contra interferências externas, Lula também tem sido criticado por manifestações políticas envolvendo líderes estrangeiros. No último dia 3 de julho, durante encontro em Buenos Aires para a cúpula do Mercosul, o presidente brasileiro posou segurando um cartaz com os dizeres “Cristina Libre” (“Cristina livre”, em português), em defesa da ex-presidente argentina Cristina Kirchner.

Kirchner foi condenada em 2022 a seis anos de prisão por corrupção e inabilitação para exercer cargos públicos. A ex-mandatária, porém, ainda recorre da sentença e se diz vítima de perseguição política. Em suas redes sociais, Lula manifestou solidariedade a Cristina, destacando que “sabe o quanto é importante o apoio popular em momentos difíceis”.

FAB buscou ex-primeira-dama do Peru

O governo brasileiro também enfrenta críticas internacionais e risco de atrito diplomático após conceder asilo diplomático à ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, condenada a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro.

Heredia desembarcou em Brasília em 16 de abril a bordo de uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), que a buscou em Lima. A FAB impôs sigilo de cinco anos sobre os custos da operação. O caso foi revelado pelo portal Metrópoles e confirmado pelo Poder360.

Heredia é esposa do ex-presidente Ollanta Humala (2011-2016), também condenado por corrupção ligada a recursos ilícitos provenientes da construtora brasileira Odebrecht e do governo venezuelano. A Transparência Internacional criticou o governo Lula, acusando o Brasil de “exportar impunidade” e de “corromper o instituto humanitário do asilo”. Segundo a entidade, o Brasil violou a Convenção de Caracas (1954), da qual é signatário, ao conceder asilo a alguém condenado por crime comum, não político.

No Peru, o episódio gerou forte reação, com setores do governo classificando a ação brasileira como ingerência. O Itamaraty informou que mantém diálogo diplomático com o governo peruano.

Oposição questiona coerência

No Brasil, parlamentares da oposição acusam Lula de incoerência. Para eles, o presidente faz discurso de soberania, mas interfere politicamente em assuntos de países vizinhos e usa a estrutura estatal, como a FAB, para favorecer aliados ideológicos. Também criticam a falta de transparência sobre os custos do voo que trouxe Nadine Heredia ao Brasil.

Analistas em relações internacionais alertam que os episódios podem desgastar a imagem do Brasil em acordos de cooperação jurídica e extradição, além de comprometer sua posição em fóruns multilaterais.

O governo federal não se pronunciou oficialmente sobre as críticas relativas ao caso Nadine Heredia.

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