Mesmo acumulando episódios que causaram atritos com potências estrangeiras, o governo Lula segue responsabilizando o ex-presidente Jair Bolsonaro pelos atuais desgastes da diplomacia brasileira, especialmente nas relações com os Estados Unidos e países aliados. A crítica foi intensificada esta semana pelo deputado federal Marcel van Hattem (NOVO-RS), que acusa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tentar transferir a culpa por seus próprios erros diplomáticos.

“Se um deputado federal licenciado realmente tiver mais força junto ao governo americano do que toda a diplomacia brasileira em Brasília e em Washington, como alegam os petistas, mais um motivo para afirmar categoricamente: a culpa é do Lula!”, disparou Van Hattem, em entrevista ao Conexão Política.

De Trump ao Irã: episódios que abalaram relações externas

Lula, desde o início do seu terceiro mandato, acumulou declarações e gestos interpretados como provocativos por líderes internacionais. Em janeiro de 2021, ainda antes de voltar à Presidência, o petista comparou o presidente dos EUA Donald Trump ao nazismo, em entrevista ao jornal espanhol El País. Segundo Lula, Trump representava “o crescimento do nazismo e do fascismo” no mundo, algo que tensionou relações com setores republicanos americanos.

Já no governo, Lula manteve vaga a embaixada brasileira em Washington por meses. Segundo diplomatas ouvidos pela Folha de S.Paulo, essa ausência prolongada dificultou interlocuções diretas com a Casa Branca em momentos sensíveis, como o anúncio recente de sobretaxas dos EUA contra o aço e alumínio brasileiros, impostas pelo governo Joe Biden.

Outro ponto de tensão internacional envolveu o Irã. O governo Lula autorizou, em janeiro de 2024, a escala no Rio de Janeiro de dois navios de guerra iranianos. O gesto desagradou os Estados Unidos e Israel, que consideram o Irã um Estado patrocinador do terrorismo. Meses depois, o vice-presidente Geraldo Alckmin participou da posse do novo presidente iraniano, Ebrahim Raisi, num evento frequentado por figuras ligadas à Guarda Revolucionária iraniana.

Além disso, Lula chegou a dizer, em fevereiro de 2024, que Israel praticava “genocídio” na Faixa de Gaza, comparando ações do governo de Benjamin Netanyahu às atrocidades cometidas por Adolf Hitler. A fala gerou repúdio de países europeus, dos EUA e provocou a convocação do embaixador brasileiro em Tel Aviv, criando a mais grave crise diplomática entre Brasil e Israel em décadas.

Redes sociais na mira

No âmbito doméstico, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) — indicado por Lula em mandato anterior — determinou a suspensão temporária da rede social X (antigo Twitter) no Brasil, alegando descumprimento de decisões judiciais. A medida irritou o bilionário Elon Musk, CEO da plataforma, que trocou farpas públicas com Janja Lula da Silva, primeira-dama do Brasil, após ela chamar Musk de “vergonha para o mundo” em postagens online. O episódio repercutiu negativamente na imprensa internacional, aumentando a percepção de insegurança jurídica e autoritarismo.

Relações regionais sob suspeita

No cenário latino-americano, Lula elogiou e visitou a ex-presidente argentina Cristina Kirchner — condenada por corrupção na Argentina — e autorizou a Força Aérea Brasileira a buscar no Peru a ex-primeira-dama Eliane Karp, também alvo de condenações em seu país. Esses gestos levantaram críticas de que o Brasil estaria, sob Lula, alinhando-se a governos ou figuras políticas com históricos controversos.

Governo culpa Bolsonaro

Apesar do histórico recente, o Planalto e aliados do PT atribuem a Jair Bolsonaro grande parte do isolamento diplomático que o Brasil enfrenta. Petistas apontam o discurso beligerante do ex-presidente, sua aproximação com Trump e desconfianças sobre seu governo na cena internacional como responsáveis por minar a confiança externa no país.

A narrativa do governo é que a desconfiança dos EUA e de potências ocidentais, como as recentes sanções ao aço brasileiro, seriam retaliações indiretas a gestão Bolsonaro e os atos de 8 de janeiro de 2023, quando vândalos invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília.

Para Van Hattem, entretanto, “é hipocrisia culpar Bolsonaro, quando Lula cria atritos diplomáticos um atrás do outro.”

Impasse

Especialistas em política externa afirmam que a diplomacia de Lula tem produzido novos atritos, sobretudo pela retórica agressiva contra governos parceiros e alianças com regimes autoritários.

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