Desde que assumiu a presidência da Argentina, o economista libertário Javier Milei tem implementado uma agenda de ajuste fiscal e desregulamentação econômica para conter a grave crise herdada de governos anteriores, especialmente do ciclo peronista. Embora as medidas tenham enfrentado resistência em diversos setores, alguns indicadores começam a mostrar sinais positivos para a população, segundo dados recentes do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).
Salários em alta, lucros em queda
De acordo com relatório do Indec, os salários reais dos argentinos — ajustados pela inflação — tiveram forte valorização no primeiro trimestre de 2025. A participação dos salários no Produto Interno Bruto (PIB) chegou a 49,1%, contra 44,1% no mesmo período de 2024, um salto de cinco pontos percentuais. Esse é o maior nível de participação do trabalho na economia argentina em vários anos.
Por outro lado, os lucros corporativos apresentaram recuo no mesmo período, indicando uma redistribuição do peso da renda nacional, antes mais concentrada no setor empresarial.
Ganho de poder de compra e recuperação do emprego
O aumento da fatia dos salários no PIB está diretamente relacionado ao ganho de poder de compra da população, impulsionado por uma recuperação gradual dos empregos formais. Apesar das críticas à política econômica ortodoxa de Milei, o cenário sugere que parte do ajuste inicial começa a refletir em maior renda para trabalhadores, pelo menos no curto prazo.
Desafios continuam, mas otimismo cresce
Especialistas alertam que os dados ainda são parciais e que o país enfrenta níveis elevados de pobreza e informalidade. No entanto, a reação positiva do mercado de trabalho e o crescimento da renda real criam expectativas de estabilização econômica mais duradoura, se as reformas estruturais forem mantidas.
Além disso, o fortalecimento do peso argentino frente ao dólar e o recuo da inflação, embora ainda em patamar elevado, são sinais de que a estratégia de choque fiscal adotada por Milei começa a surtir efeito.





