Uma doença antes quase desconhecida fora da Região Amazônica agora se alastra pelo Brasil com força alarmante. A febre oropouche, transmitida pelo mosquito Culicoides paraensis – conhecido popularmente como maruim ou mosquito-pólvora –, já atingiu 18 estados e o Distrito Federal em 2025. Com 11.805 casos registrados até o momento e cinco mortes confirmadas, a doença ultrapassou os números do ano anterior, e deve superar, nas próximas semanas, o total de 13.856 infecções de 2024.
O epicentro atual é o Espírito Santo, com 6.318 casos, seguido por registros expressivos em estados das regiões Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e até Sul do país. Minas Gerais, por exemplo, confirmou 1.746 casos, com os primeiros registros surgindo ainda em 2024 após investigações de quadros negativos para dengue, chikungunya e zika.
Sem imunidade e com clima propício, país vive risco de novo surto nacional
Segundo Felipe Naveca, do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), os surtos estão associados a desmatamento recente, especialmente no sul do Amazonas e norte de Rondônia. Esses pontos teriam servido como porta de entrada para a nova linhagem do vírus, que migrou com indivíduos infectados para outras regiões.
“Depois que a pessoa é infectada, leva um tempo até desenvolver sintomas, o que facilita a disseminação silenciosa da doença”, explica o pesquisador.
As mudanças ambientais e climáticas extremas, como a seca e a cheia dos rios ou eventos como o El Niño, são apontadas como fatores-chave para a expansão do vetor. Um estudo internacional recente atribuiu 60% da disseminação da oropouche a variáveis climáticas, como alteração de temperatura e regime de chuvas.
Perigo para gestantes e áreas periurbanas
A febre oropouche preocupa especialmente gestantes, pois há risco de complicações semelhantes ao Zika vírus, incluindo microcefalia, malformações fetais e até óbito do bebê.
A infecção provoca sintomas como:
- Febre alta
- Dor de cabeça intensa
- Dores musculares e nas articulações
- Náuseas
- Diarreia
O vírus está presente em ambientes úmidos e ricos em matéria orgânica em decomposição, como plantações (especialmente de banana), áreas florestais, e regiões periurbanas — zonas de transição entre o rural e o urbano.
Medidas de combate e prevenção
O Ministério da Saúde vem monitorando o avanço da febre oropouche com reuniões técnicas nos estados e orientações para a notificação correta dos casos. Em parceria com Fiocruz e Embrapa, pesquisas sobre o uso de inseticidas específicos vêm sendo conduzidas com resultados promissores.
As medidas de prevenção recomendadas incluem:
- Uso de roupas compridas e sapatos fechados
- Telas de proteção fina em janelas e portas
- Eliminação de matéria orgânica acumulada
- Uso de preservativo durante relações sexuais por pessoas com sintomas, embora não haja comprovação de transmissão sexual





