O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (8/8) a duplicação da recompensa por informações que levem à prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, elevando o valor para US$ 50 milhões. A medida, considerada histórica pelo Departamento de Justiça e pelo Departamento de Estado americano, reforça a pressão sobre Maduro, apontado como “um dos maiores narcotraficantes do mundo” e líder do suposto cartel internacional conhecido como “Cartel de los Soles”.
O anúncio foi feito pela procuradora-geral dos EUA, que destacou que Maduro utiliza organizações terroristas estrangeiras para traficar drogas letais, especialmente cocaína misturada com fentanil, que alimenta uma crise de saúde pública no país norte-americano. Segundo a autoridade, as investigações revelaram a interceptação de cerca de 30 toneladas de cocaína ligadas a Maduro e seus aliados, das quais aproximadamente 7 toneladas estariam diretamente associadas ao presidente venezuelano.
Desde março de 2020, durante o governo Trump, Maduro é formalmente acusado de narcoterrorismo, conspiração para o tráfico de drogas, importação ilegal de cocaína e uso de armas para apoiar crimes ligados ao narcotráfico. Inicialmente, o valor da recompensa era de US$ 15 milhões, que foi aumentado para US$ 25 milhões em janeiro de 2025, já no governo Biden, como retaliação à reeleição controversa de Maduro naquele ano.
Além da recompensa por Maduro, o Departamento de Justiça oferece valores para informações sobre outros membros da cúpula venezuelana, como Diosdado Cabello Rondón, ministro do Interior, e Vladimir Padrino López, ministro da Defesa.
Apesar do impacto simbólico da medida, especialistas avaliam que a recompensa tem efeito prático limitado, já que Maduro permanece no poder, protegido por alianças estratégicas com países como Rússia, China e Irã. A Venezuela, sob seu comando desde 2013 após a morte de Hugo Chávez, é marcada por repressão política, corrupção e eleições contestadas pela oposição e comunidade internacional.
A reeleição de Maduro em julho de 2024 foi amplamente criticada. A oposição, representada por figuras como Maria Corina Machado — presa brevemente e forçada a se esconder — e Edmundo González — exilado após reivindicar vitória —, sofreu perseguição e repressão. O regime promoveu ainda a restrição de protestos contra o governo, enquanto Maduro buscava consolidar sua permanência por meio do controle da máquina pública e da flexibilização da Constituição para permitir reeleições indefinidas.
Contexto militar:
Em paralelo, revelações indicam que, durante seu mandato, Donald Trump assinou uma ordem secreta autorizando o Pentágono a usar força militar direta contra cartéis latino-americanos de drogas classificados como organizações terroristas. Essa estratégia inédita permitiria operações militares em alto-mar e em solo estrangeiro, uma medida que pode representar um salto na luta antidrogas, colocando tropas americanas na linha de frente contra grupos fortemente armados e financiados.
No entanto, a decisão também levantou debates sobre a ampliação do uso das Forças Armadas americanas em operações externas e seus impactos geopolíticos.





