O governo da Venezuela, liderado por Nicolás Maduro, tem ignorado as tentativas do Brasil de renegociar uma dívida bilionária referente a obras e serviços prestados por empresas brasileiras no país. Segundo documento do Ministério da Fazenda, assinado pela secretária de Assuntos Internacionais Tatiana Rosito, as tratativas estão suspensas por falta de resposta venezuelana.
O valor da dívida, atualizado até fevereiro de 2025, é de aproximadamente US$ 1,74 bilhão (cerca de R$ 10 bilhões), incluindo montantes já indenizados pela União aos bancos financiadores e os juros pelo atraso. A cobrança foi retomada por vias diplomáticas e diretas, mas sem retorno do governo de Caracas.
A inadimplência venezuelana remonta aos financiamentos do BNDES para empreiteiras brasileiras durante os governos do PT. Projetos como o metrô de Caracas foram bancados com crédito oficial, com garantia do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) — que cobre prejuízos em caso de calote.
Apesar da reabertura da negociação em 2023 após a visita de Maduro a Brasília, e de reuniões técnicas entre os ministérios da Fazenda dos dois países, a Venezuela não deu continuidade ao diálogo. Quatro parcelas adicionais da dívida devem ser indenizadas pela União até junho, totalizando mais US$ 16 milhões (cerca de R$ 90 milhões).
O episódio contribui para o esfriamento das relações entre Brasil e Venezuela, intensificado pelo veto brasileiro à entrada da Venezuela como parceira do grupo Brics — mesmo com o apoio da Rússia e da China.
Com a ausência de engajamento do governo venezuelano e o desgaste diplomático recente, não há perspectiva para um acordo a curto prazo. O tema também é usado como munição política pela oposição ao governo Lula, que busca justificar que o atual Executivo está tentando resolver um problema herdado de gestões anteriores e agravado pelo rompimento diplomático na era Bolsonaro.





