São Paulo, 19 de junho de 2025 – Pela primeira vez desde o início da série histórica iniciada pelo Datafolha em 2023, petistas e bolsonaristas aparecem empatados tecnicamente, com 35% cada entre os brasileiros que assumem identificação política mais forte com um dos dois polos.
O levantamento, realizado entre 10 e 11 de junho, mostra que o grupo que se considera mais próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caiu de 39% em abril para 35%, enquanto os simpatizantes do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) avançaram de 31% para 35%, atingindo o mesmo patamar dos petistas dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Segundo o instituto, a variação atinge o limite superior da margem de erro, o que sugere uma tendência real de crescimento entre os bolsonaristas.
📊 O desenho da polarização
A pesquisa usa uma escala de um a cinco, onde os entrevistados se classificam entre “1” (mais bolsonarista) e “5” (mais petista). Os que responderam “1” ou “2” foram considerados bolsonaristas; os que disseram “4” ou “5”, petistas.
O centro da escala, o número “3”, representou os neutros, enquanto outros 7% declararam não se identificar com nenhum dos lados, e 2% não souberam responder. Estes percentuais de indecisos e neutros permanecem estáveis desde o início da série.
A polarização, somando os dois grupos extremos, atinge agora 70% da população brasileira, o maior patamar registrado desde o início do acompanhamento.
🏛️ Contexto político: desgaste do governo Lula e efeito das investigações
O recuo da identificação petista ocorre em meio a um cenário político turbulento para o presidente. Nas últimas semanas, Lula vem enfrentando queda de popularidade, com desaprovação de 57% segundo a Quaest, um índice comparável ao que Bolsonaro enfrentava em meados de 2021, antes de sua tentativa fracassada de reeleição.
Além disso, o Datafolha divulgado na semana passada já apontava que 40% dos brasileiros avaliam o governo Lula como ruim ou péssimo, enquanto apenas 28% o classificam como bom ou ótimo.
A pesquisa foi realizada justamente durante e após os interrogatórios conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito da investigação da tentativa de golpe de 2022, o que pode ter influenciado a mobilização e a visibilidade da base bolsonarista.
⚠️ Fatores que pressionam o Planalto
Analistas políticos avaliam que o escândalo recente envolvendo descontos irregulares de entidades no INSS, com potencial para se transformar em uma CPI, tem contribuído para minar o desempenho do governo junto à opinião pública.
Além disso, a percepção de estagnação econômica, mesmo com indicadores de queda na inflação e melhora no mercado de trabalho, não tem sido suficiente para recuperar a imagem do presidente.
📅 Reta final antes de 2026
O levantamento do Datafolha reforça que o Brasil segue em clima de polarização extrema, a menos de um ano e meio das eleições presidenciais de 2026. Especialistas apontam que o cenário é desafiador tanto para Lula quanto para Bolsonaro, com alto índice de rejeição entre os eleitores de ambos os lados.
“Essa é a primeira vez, desde que a série começou, que o Datafolha mostra empate técnico absoluto entre os dois polos”, destacou o diretor de pesquisas do instituto.
A próxima rodada de pesquisas deve medir o impacto de possíveis novos desdobramentos da CPI do INSS e o andamento das investigações sobre os ataques à democracia em 2022.
📌 Metodologia da pesquisa:
- Período: 10 e 11 de junho de 2025
- Amostra: 2.004 entrevistados em 136 municípios de todas as regiões do país
- Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos





