O discurso do governo Lula contra o 1% mais rico parece, para muitos críticos, pura encenação. Enquanto prega taxação dos “super ricos” e proteção aos 99%, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta acusações de hipocrisia, sobretudo após ter recorrido à Justiça para não pagar R$ 18 milhões em impostos — episódio que alimenta críticas sobre o contraste entre discurso político e prática pessoal.
Além disso, gastos considerados excessivos com viagens oficiais inflam ainda mais as críticas. Somente em 14 dias, o governo Lula desembolsou R$ 63 milhões em viagens, segundo dados do Portal da Transparência, sem contar custos dos jatos da Força Aérea Brasileira (FAB) usados por Lula, pela primeira-dama Janja e outras autoridades. No total, em 2025, o governo já gastou R$ 667,7 milhões em deslocamentos, incluindo diárias, passagens e despesas diversas.
Desde o início do mandato, a gestão petista acumula R$ 4,63 bilhões em gastos com viagens, superando, em dois anos e meio, todo o valor gasto no governo Bolsonaro, que somou R$ 1,3 bilhão entre 2019 e 2022. O governo, até aqui, não divulgou detalhes completos sobre os custos dos voos da FAB, o que gera questionamentos sobre a necessidade e a proporcionalidade de tais despesas.
Enquanto isso, empresas envolvidas em escândalos conseguem aliviar dívidas milionárias. A Americanas, gigante do varejo, após entrar em recuperação judicial devido à maior fraude contábil já registrada no país, fechou acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Conseguiu desconto superior a R$ 500 milhões sobre uma dívida total de R$ 865 milhões. O acordo contrasta com discursos de setores empresariais que frequentemente criticam gastos sociais como o Bolsa Família.
Outro dado que expõe a disparidade na economia brasileira vem do sistema financeiro. Os três maiores bancos privados do Brasil — Itaú, Bradesco e Santander — lucraram juntos R$ 74,8 bilhões em 2024, alta de 22% em relação a 2023. O crescimento veio da expansão do crédito, principalmente nas linhas com garantias, como imobiliário e financiamento de veículos, e da melhora na margem financeira líquida, impulsionada por queda da inadimplência e juros ainda elevados. O Santander teve o maior avanço percentual, com alta de 26% no lucro, enquanto o Itaú liderou em lucro absoluto.
Mesmo com o bom desempenho em 2024, os bancos preveem crescimento mais modesto no crédito para 2025, diante de um cenário econômico menos favorável.
Em meio a números bilionários de lucros e perdões fiscais, somados a gastos públicos questionados, persiste a dúvida: quem, afinal, faz parte do 1% que Lula promete taxar — e quem continua pagando a conta no Brasil?





