A cantora Preta Gil, filha de Gilberto Gil e Sandra Gadelha, faleceu neste domingo (20), aos 50 anos, em decorrência de complicações de um câncer colorretal, nos Estados Unidos. Ela estava no país desde maio para realizar tratamento experimental, mas sofreu uma piora súbita no quadro de saúde e morreu dentro de uma ambulância, a caminho do aeroporto, onde embarcaria de volta ao Brasil.

Preta lutava contra a doença desde janeiro de 2023, quando foi diagnosticada com adenocarcinoma, um tipo de tumor maligno que se desenvolve no intestino. A artista enfrentou cirurgia, quimioterapia, radioterapia e múltiplas internações ao longo de dois anos, compartilhando abertamente detalhes de seu tratamento nas redes sociais.

A notícia da morte comoveu fãs, amigos e artistas. Carolina Dieckmann, amiga próxima da cantora, publicou um texto emocionado nas redes sociais:

“Descansa, meu amor. Como você lutou… Vou morrer de saudade, mas vou viver com você aqui, dentro.”

Preta deixa um filho, Francisco Gil, e uma neta, Sol de Maria. Ainda não há informações oficiais sobre o traslado do corpo, mas Gilberto Gil afirmou que está providenciando a repatriação para o Brasil, onde a cantora deverá ser velada e sepultada nos próximos dias.


Doença silenciosa e perigosa

O câncer colorretal, que vitimou Preta Gil, é uma das doenças mais letais do país. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), mais de 40 mil novos casos são registrados anualmente no Brasil. A doença é a segunda mais comum do aparelho digestivo e a terceira em mortalidade.

De acordo com especialistas, o câncer colorretal costuma afetar pessoas com mais de 45 anos, com pico de incidência entre os 60 e 70 anos, mas pode atingir também adultos mais jovens, como foi o caso de Preta.

A oncologista Renata D’Alpino, do Grupo Oncoclínicas, reforça que o diagnóstico precoce é crucial:

“O câncer colorretal é silencioso no início. Muitas vezes, o tumor só é descoberto diante de sintomas mais severos, como sangue nas fezes, constipação, diarreia, anemia inexplicada, cólicas, fraqueza e emagrecimento.”

Entre os fatores de risco estão má alimentação (rica em carnes processadas e pobre em fibras), sedentarismo, obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool e histórico familiar.


Exame pode prevenir

A principal forma de prevenção é a colonoscopia, indicada para pessoas a partir dos 45 anos — ou 35 anos, em casos de histórico familiar. O exame permite detectar e remover pólipos que, ao longo do tempo, podem se tornar tumores.

“A colonoscopia transformou o cenário da doença. Quando feita com regularidade, permite detectar lesões antes que virem câncer e pode evitar cirurgias agressivas”, explica o médico Ricardo Viebig, do Hospital IGESP.

Além da colonoscopia, exames de sangue oculto nas fezes, tomografias e testes genéticos também auxiliam na detecção e no monitoramento da doença.


Herança e legado

Preta Gil deixa um legado não apenas na música brasileira, mas também na luta contra o preconceito, o machismo e os tabus sobre o corpo, a sexualidade e a saúde. Nas redes sociais, ela usou sua visibilidade para incentivar a prevenção, acolher pacientes e combater o estigma do câncer.

Sua partida precoce reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas mais efetivas para o rastreamento precoce do câncer colorretal e o acesso universal ao diagnóstico e tratamento oncológico no Brasil.

“Preta foi luz, força, alegria, generosidade. Um furacão de amor que seguirá vivo em cada um que foi tocado por sua presença e por sua luta”, resumiu um fã nas redes sociais.

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