Porto Velho (RO) – Um fim de semana de dor transformou-se em tragédia em uma propriedade rural localizada no quilômetro 33/34 da BR‑319, logo após a ponte sobre o rio Madeira. Um adolescente de 14 anos foi morto por um disparo acidental efetuado por seu irmão, um adolescente de 16 anos, na tarde de sábado (19).
Segundo relatos de familiares e da Polícia Militar, os irmãos estavam em uma chácara reunidos com parentes — inclusive celebrando o aniversário do avô, de 86 anos — quando o mais velho encontrou uma arma de pressão adaptada para calibre .22 e, sem verificar, disparou acidentalmente, atingindo o irmão na cabeça.
A vítima foi socorrida por populares até a Policlínica Ana Adelaide, mas chegou já sem vida à unidade de saúde. Equipes da Polícia Militar registraram a ocorrência, o Instituto Médico Legal (IML) fez a remoção do corpo, e o adolescente de 16 anos foi apreendido e levado ao Departamento de Flagrantes, sendo investigado por homicídio culposo (sem intenção de matar).
A Delegacia Especializada em Repressão a Crimes Contra a Vida (DERCCV) da Polícia Civil assumiu as investigações para apurar as circunstâncias e confirmar se o disparo foi realmente acidental, e a Vara da Infância e Juventude, bem como o Ministério Público, também estão acompanhando o caso.
Arma adaptada: perigo silencioso
O uso de arma de pressão modificada para calibre .22 representa um risco grave e ilegal, frequentemente subestimado por famílias. A modificação confere potência letal ao equipamento, transformando-o em verdadeira arma de fogo; o incidente em Porto Velho não é isolado e reforça a importância da fiscalização e do armazenamento seguro de armamentos, mesmo que inicialmente pareçam inofensivos.
Especialistas em segurança pública alertam que muitos acidentes dessa natureza poderiam ser evitados com ações de educação e rigor fiscalizador das autoridades.
Desdobramentos previstos:
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A DERCCV deverá ouvir testemunhas, analisar vestígios na cena — embora a área tenha sido parcialmente lavada antes da chegada da perícia — e reunir elementos para elucidar os fatos.
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O adolescente apreendido permanecerá sob medida sócio-educativa até conclusão da investigação, que pode resultar em responsabilização por homicídio culposo.
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A tragédia reacende o alerta para políticas públicas que envolvem prevenção de acidentes domésticos com armas entre menores.

