Os preços do trigo seguem em queda no Sul do Brasil, pressionados pela intensificação da colheita nacional, valorização do real frente ao dólar e queda nos preços internacionais. A situação é mais crítica no Paraná e no Rio Grande do Sul, onde os valores do cereal atingem patamares não registrados desde 2024 e 2025, respectivamente.

Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, no Paraná, o preço médio do trigo em setembro foi de R$ 1.354,35 por tonelada, registrando recuo de 5,5% em relação a agosto/25 e queda de 10,3% em relação a setembro/24, considerando valores reais deflacionados pelo IGP-DI. Esse é o valor mais baixo desde abril de 2024.

No Rio Grande do Sul, o preço médio em setembro ficou em R$ 1.262,67 por tonelada, com redução de 2,2% em relação ao mês anterior e 9,2% menor que setembro do ano passado, sendo o nível mais baixo desde janeiro de 2025.

Os pesquisadores apontam que outro fator que contribuiu para a queda foi a suspensão temporária das retenciones na Argentina, que reduziu o interesse de compradores estrangeiros em adquirir trigo brasileiro, pressionando os produtores a aceitar valores menores no mercado interno.

A expectativa para os próximos meses é que a continuidade da colheita e a estabilidade do câmbio mantenham a pressão sobre os preços, beneficiando indústrias e consumidores finais, mas reduzindo a margem de lucro dos produtores rurais da região.

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