Um grupo formado por juristas, parlamentares e ativistas lançou o site “Dossiê Moraes”, plataforma que reúne centenas de registros de supostos abusos cometidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O projeto, criado em julho de 2025, é liderado pelo vereador Rodrigo Marcial (Novo-PR) e conta com o apoio do senador Eduardo Girão (Novo-CE), do deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), do ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo-PR) e do jornalista Leandro Narloch.
Segundo os organizadores, a intenção é reunir provas para subsidiar um possível pedido de impeachment contra o magistrado.
“O Dossiê Moraes é um arquivo cívico, independente e colaborativo”, descreve o texto de apresentação. “Nosso objetivo é documentar e preservar a memória de atos contrários às garantias fundamentais.”
Casos destacados
Entre os episódios mais recentes listados estão:
- Bloqueio de contas do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e de sua esposa nos Estados Unidos, após declarações públicas sobre tarifas;
- Proibição do uso de fardas por réus militares em julgamentos, medida que, segundo os autores do site, fere princípios legais;
- Ações contra parlamentares, militares e familiares de políticos, que os organizadores classificam como excessos de autoridade.
O conteúdo do site é descrito como baseado em documentos oficiais, despachos judiciais e registros parlamentares. Ele também incentiva que pessoas que se considerem vítimas de decisões de Moraes enviem seus relatos para inclusão no acervo.
Contexto político
O lançamento do “Dossiê Moraes” ocorre em meio a uma nova onda de mobilização política pela destituição do ministro, impulsionada por parlamentares de oposição. Nesta mesma semana, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) divulgou um site com um “placar” dos senadores favoráveis ou contrários ao impeachment de Moraes, e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) protocolou mais um pedido formal na Casa.
O movimento ganhou força após a aplicação da Lei Magnitsky por parte do governo dos Estados Unidos contra o ministro, o que foi interpretado por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro como uma chancela internacional às críticas que fazem ao magistrado.





