O ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e perito Eduardo Tagliaferro acusou, nesta sexta-feira (1º/8), o ministro Alexandre de Moraes — presidente do TSE durante as eleições de 2022 — de utilizar a estrutura da Corte para prejudicar a candidatura do então presidente Jair Bolsonaro (PL) e favorecer adversários políticos.
Em entrevista à Rádio Auriverde, Tagliaferro afirmou:
“Aos meus olhos, foi feita uma perseguição e uma destruição da imagem da direita no cenário político dentro das eleições de 2022.”
Segundo ele, decisões e medidas adotadas pelo TSE sob comando de Moraes restringiram conteúdos favoráveis a Bolsonaro e influenciaram o processo eleitoral.
Alegações de censura direcionada
Entre os exemplos citados por Tagliaferro, estão:
- Proibição do uso de imagens do 7 de Setembro na campanha;
- Bloqueio de cenas do funeral da rainha Elizabeth II;
- Censura a declarações que associavam o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva a ditadores.
“A direita foi tolhida do seu direito de fazer uma campanha transparente, de mostrar a sua cara”, declarou.
Funcionamento da AEED
O ex-assessor também detalhou a atuação da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED), órgão ao qual estava vinculado no TSE. Segundo ele, o trabalho se baseava em relatórios produzidos a partir de pedidos recebidos por WhatsApp, sem monitoramento constante das redes sociais:
“Não tinha um cara olhando todo mundo. O que existia eram ordens determinadas… e os alvos, com o tempo, eram sempre os mesmos.”
Acusações de ordens diretas e apagamento de mensagens
Tagliaferro afirmou que Moraes determinava diretamente aos servidores que mensagens em grupos de trabalho ligados à AEED fossem apagadas.
“O ministro determinava que servidores apagassem mensagens trocadas”, disse.
Promessa de dossiê internacional
O ex-assessor declarou ainda possuir provas adicionais contra Moraes e que está reunindo o material para entregar a autoridades estrangeiras como parte de um dossiê internacional sobre a atuação do ministro.
As acusações surgem em meio a um contexto de forte pressão política pela abertura de um processo de impeachment contra Moraes no Senado e após a aplicação da Lei Magnitsky e a revogação de vistos do ministro pelos Estados Unidos.





