A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), marcada para novembro em Belém do Pará, enfrenta sua primeira grande crise diplomática antes mesmo de começar. O presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen, anunciou o cancelamento de sua participação no evento devido aos altos custos de viagem e hospedagem no Brasil. Em seu lugar, o ministro do Meio Ambiente, Norbert Totschnig, será o chefe da delegação austríaca.

A decisão austríaca jogou luz sobre uma preocupação crescente entre delegações de países em desenvolvimento e até de nações europeias com orçamentos limitados. Mais de 25 países já protocolaram reclamações formais à ONU e participaram de uma reunião emergencial convocada pela organização, alertando para o risco de exclusão de representantes dos países mais afetados pela crise climática.

O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, foi direto em seu alerta:

“A ausência dessas nações mais vulneráveis comprometeria a legitimidade e a representatividade do evento.”

Diárias acima do orçamento

Mesmo com a criação de uma plataforma oficial de hospedagem, que oferece 2,5 mil leitos a partir de US$ 200 por noite, muitas delegações afirmam que os valores estão acima de seus orçamentos, especialmente se considerada a necessidade de estadias prolongadas e equipes técnicas completas.

Relatos de diárias ultrapassando US$ 600 em hotéis de padrão médio em Belém causaram indignação em missões africanas e asiáticas. Para comparação, na COP28 realizada em Dubai (2023), com todos os custos do Oriente Médio, a ONU havia negociado hospedagens oficiais por valores entre US$ 120 e US$ 180.

O governo brasileiro, por meio do Ministério do Meio Ambiente e do Itamaraty, informou que está trabalhando para ampliar subsídios e buscar soluções logísticas, como acomodações em cidades vizinhas e transporte regular até o local da conferência.

Acesso e legitimidade em risco

A COP30 será a primeira conferência climática da ONU realizada na Amazônia brasileira e tem como missão central revisar metas climáticas dos países signatários do Acordo de Paris. Especialistas apontam que a ausência de países pobres e vulneráveis ao colapso ambiental enfraquece o debate global, uma vez que são justamente essas nações as mais afetadas por secas extremas, inundações, elevação do nível do mar e insegurança alimentar.

Organizações como Greenpeace, Climate Action Network e WWF criticaram duramente a elevação dos preços e pedem ao governo brasileiro e à ONU uma resposta rápida e efetiva.

“É impensável que países ricos se reúnam para discutir o futuro climático do planeta sem garantir a presença daqueles que vivem seus impactos mais dramáticos”, disse um representante do Greenpeace internacional.


A COP30 está prevista para ocorrer de 10 a 22 de novembro de 2025. A expectativa era reunir mais de 60 mil participantes de 190 países, mas o cenário pode ser revisto caso as barreiras econômicas não sejam rapidamente superadas.

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