As estatais federais registraram um déficit de R$ 5,52 bilhões entre janeiro e julho de 2025, segundo o relatório Estatísticas Fiscais do Banco Central (BC) divulgado nesta sexta-feira (29). Trata-se do pior resultado desde o início das medições em 2002 e representa um aumento de 61,1% em relação ao mesmo período de 2024, quando o saldo negativo foi de R$ 3,42 bilhões.

O levantamento exclui as estatais financeiras – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES – e a Petrobras, focando em empresas cuja operação depende diretamente do Tesouro Nacional.

BC calcula o chamado indicador de necessidade de financiamento, que mede o impacto das estatais nas contas públicas: se contribuem para reduzir o déficit fiscal ou se demandam mais recursos do Tesouro.

Segundo o relatório, ao considerar empresas de todos os níveis de governo, o déficit total das estatais no período foi de R$ 8,28 bilhões:

  • R$ 5,52 bilhões das federais
  • R$ 2,21 bilhões das estaduais
  • R$ 550 milhões das municipais

Governo questiona metodologia

Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) criticou a metodologia do BC, afirmando que os dados não refletem a saúde financeira das empresas, por não detalharem receitas, custos, ativos e lucros. Apesar disso, a métrica é considerada relevante para avaliar o efeito das estatais sobre a política fiscal, já que mostra quanto essas empresas exigem de recursos públicos.

Impactos e contexto

O resultado negativo das estatais federais reforça a pressão sobre o déficit fiscal do país e a necessidade de monitoramento do desempenho financeiro dessas empresas, especialmente em um período de crescente debate sobre privatizações e federalização de ativos estratégicos.

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