O ex-superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais, delegado Rodrigo de Melo Teixeira, foi preso nesta quarta-feira (17) em uma ação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) no âmbito da Operação Rejeito, que investiga uma organização criminosa suspeita de atuar no setor de mineração com fraudes ambientais, corrupção e lavagem de dinheiro.


O que se sabe até agora

  • Rodrigo de Melo Teixeira foi detido preventivamente, juntamente com Caio Mário Trivellato Seabra Filho, diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM).
  • Há 22 mandados de prisão, ao menos 20 pessoas envolvidas, além de 79 mandados de busca e apreensão.
  • Os investigados deverão responder por múltiplos crimes: crimes ambientaisusurpação de bens da Uniãocorrupção ativa e passivaorganização criminosalavagem de dinheiro, e embaraço à investigação de organização criminosa.
  • Segundo as autoridades, o esquema teria envolvido obtenção fraudulenta de autorizações e licenças ambientais, exploração de minério de ferro em áreas irregulares, inclusive em locais tombados ou próximos de áreas de proteção ambiental, o que acarreta sérios riscos socioambientais.
  • Estima-se que o grupo já tenha auferido cerca de R$ 1,5 bilhão em lucros ilícitos com atividade efetiva, além de um potencial de ganhos de até R$ 18 bilhões em projetos ainda em curso.
  • A Justiça Federal de Minas determinou bloqueio de ativos das pessoas envolvidas no valor de R$ 1,5 bilhão, suspensão de atividades das empresas implicadas, e afastamento de servidores públicos suspeitos.

Quem é Rodrigo de Melo Teixeira

  • Ingressou na Polícia Federal em 1999.
  • Foi superintendente da PF em Minas Gerais, e ocupou a Diretoria de Polícia Administrativa da corporação.
  • Tornou-se conhecido nacionalmente por ter sido o delegado que iniciou o inquérito que investigou a facada sofrida por Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora, durante a campanha eleitoral que o elegeu presidente da República.
  • Teixeira também atuou como secretário adjunto de Defesa Social de Minas Gerais, presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente, e – mais recentemente – como Diretor de Administração e Finanças do Serviço Geológico do Brasil (SGB).

Detalhes do esquema investigado

  • O grupo usava empresas de fachada ou interpostas para ocultar sócios diretos, movimentações financeiras e vínculos societários. Rodrigo Teixeira é apontado como um dos sócios ocultos em algumas dessas empresas.
  • Autorizações ambientais fraudulentas permitiam operação de mineração em áreas vulneráveis, inclusive de alto valor patrimonial e paisagístico (locais tombados, áreas de preservação, proximidades de serras históricas).
  • Servidores públicos de diferentes órgãos estaduais e federais teriam sido corrompidos para facilitar emissão de licenças ou ignorar exigências legais, assim como para evitar fiscalização.

Repercussão e próximos passos

  • A PF afirmou que práticas criminosas desse tipo impactam não apenas o meio ambiente, mas também as comunidades locais, serviços públicos, turismo, patrimônio histórico e potencial de desastre ambiental.
  • A ANM informou que, até agora, não foi oficialmente comunicada pela PF sobre quais medidas precisará adotar em relação a servidores ou dirigentes.
  • O Serviço Geológico do Brasil (SGB) declarou que “reiteram compromisso com ética, legalidade e transparência”, mas evitou comentar processos em andamento envolvendo colaboradores.
  • Há expectativa de que as investigações aprofundem os danos ambientais específicos, identifiquem as áreas mais afetadas e apurem a extensão das responsabilidades, tanto jurídicas quanto ambientais e civis.

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