O vereador de Curitiba (PR), Guilherme Kilter (Novo), protocolou uma denúncia junto ao Ministério Público Federal (MPF) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusando-o de proferir declarações racistas em eventos oficiais e entrevistas. A ação ocorre logo após a Justiça de São Paulo condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos devido a falas consideradas racistas contra pessoas negras e quilombolas.

Para Kilter, a lei deve ser aplicada de forma isonômica, sem privilegiar nenhum político, e ele solicita que Lula seja responsabilizado da mesma forma.

Falas denunciadas

Entre os episódios citados pelo vereador estão:

  • Em 2023, Lula comentou sobre uma propaganda do governo com a foto de um homem negro sem dentes: “Um cara sem dente e ainda negro reclama da foto do governo”.
  • Em evento com jovens, teria dito a uma estudante negra: “Afrodescendente gosta de um batuque de tambor”.
  • Ainda em 2023, agradeceu à África “por tudo o que foi produzido durante 350 anos de escravidão”.

Segundo Kilter, essas declarações reforçam estereótipos e ofendem a dignidade da população negra, sendo apresentadas como piadas ou críticas “disfarçadas”. O vereador pede que o MPF investigue o presidente e adote providências legais, inclusive a aplicação de multa nos mesmos moldes da decisão contra Bolsonaro.

Repercussão política

O episódio gerou críticas de parlamentares da oposição. Senadores e deputados, como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ), classificaram as falas como racistas e questionaram a seletividade da lei. Por outro lado, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, defendeu que o comentário de Lula se referiu a um episódio específico e constituiu uma crítica ao estigma sofrido por pessoas negras.

Contexto: condenação de Bolsonaro e atuação do relator

A condenação de Bolsonaro foi resultado de ação civil pública movida pela Defensoria Pública da União (DPU) e pelo MPF em 2021, devido a comentários sobre o cabelo “black power” de um apoiador negro. A decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) entendeu que houve dano moral coletivo.

O relator da ação contra Bolsonaro, desembargador Rogério Favreto, ex-filiado ao PT, já foi responsável por decisões envolvendo Lula, inclusive ordenando sua soltura durante a Operação Lava Jato em 2018, decisão que causou repercussão nacional.

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