A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovou nesta quinta-feira (11/9/2025) a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de 67 pessoas físicas e 91 empresas e associações investigadas por suspeitas de envolvimento em fraudes nos benefícios previdenciários.
Principais alvos
Entre os investigados cujos sigilos foram quebrados estão:
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Alessandro Stefanutto — ex-presidente do INSS.
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Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” — apontado como um dos operadores centrais do esquema de descontos indevidos.
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Maurício Camisotti — empresário suspeito de envolvimento no esquema.
Também figuram na lista ex-diretores do INSS, procurador-geral da autarquia, além de dirigentes ou associados de entidades como o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), entre outras.
Operações policiais
Na sexta-feira (12/9/2025), a Polícia Federal deflagrou a Operação Cambota, desdobramento da “Operação Sem Desconto”, e prendeu, entre outros, Antônio Carlos Camilo Antunes (“Careca do INSS”) e Maurício Camisotti.
As investigações revelam que, entre 2019 e 2024, o prejuízo estimado aos cofres públicos com descontos indevidos feitos por entidades associativas em benefícios de aposentados e pensionistas alcança cerca de R$ 6,3 bilhões.
A PF aponta que do total suspeito, R$ 9,3 milhões foram destinados a servidores do INSS como vantagens indevidas.
O papel da CPMI
A CPMI está investigando os chamados “descontos associativos” que, segundo denúncias, foram aplicados sem o consentimento ou autorização dos beneficiários do INSS.
Foram aprovados não só requerimentos de quebra de sigilo, mas também de acesso a documentos, relatórios de inteligência financeira (RIFs) ao COAF, e registros de entrada e saída de investigados em diversos órgãos do governo.
Foram vetados, contudo, requerimentos relativos a pessoas que, segundo a CPMI, não aparecem nos inquéritos da Polícia Federal, como os ex-ministros Carlos Lupi e Ahmed Mohamad Oliveira, e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg).
Resposta dos investigados
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Antunes, o “Careca do INSS”, é apontado como lobista e intermediador de propinas, responsável por movimentações financeiras suspeitas, uso de associações de fachada e descontos indevidos nos benefícios.
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Camisotti é suspeito de ser sócio oculto de entidade beneficiária do esquema.
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Stefanutto foi exonerado em abril de 2025 após revelações sobre o esquema; sua defesa argumenta desconhecimento ou repúdio aos atos investigados, embora sua gestão tenha assinado/validado diversos Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com entidades envolvidas nas investigações.





