Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, denunciou, em audiência na Comissão de Segurança Pública do Senado, terem sido produzidos documentos retroativos para legitimar uma operação da Polícia Federal contra empresários bolsonaristas em 2022. A sessão ocorreu na terça-feira, 2 de setembro, e ele participou por videoconferência diretamente da Itália, onde atualmente reside.

Acusações principais

  • Tagliaferro alegou que os relatórios técnicos usados como justificativa para a operação da PF, realizada em 23 de agosto de 2022, só foram elaborados posteriormente, entre os dias 26 e 28 de agosto de 2022. Em sua fala:
    “A busca e apreensão foi realizada em 23 de agosto. Porém […] os relatórios e todo o material que a mim foi passado para montar aquela farsa, são dos dias 26, 27 e 28 de agosto”.
  • Ele afirmou ter sido solicitado a produzir mapas mentais e relatório analítico por Airton Vieira, então juiz auxiliar do gabinete de Alexandre de Moraes, sob a suposta orientação de fabricar justificativas para embasar a ação. Segundo Tagliaferro, Moraes não sabia da delegação dessa função e Vieira teria pedido sigilo.

Batalha política e acusações pesadas

  • Em meio à sessão, Tagliaferro também desafiou diretamente Alexandre de Moraes, questionando a ausência de investigações iniciais contra alvos de esquerda, e acusando o magistrado de perseguir figuras da direita: “Desafio Alexandre de Moraes a trazer o grupo […] e mostrar que […] exista qualquer tipo de pesquisa ou investigação […] referente ao espectro da esquerda. Não existe.”
  • Em suas próprias palavras, ele acusou Moraes de comprometer a liberdade de expressão, a democracia e a dignidade humana, dizendo ser alvo de perseguição: “Ele, com autoridade, impõe o medo às pessoas para que se mantenham caladas. E, de fato, aos meus olhos, isso é um atentado contra a dignidade humana, contra a pessoa, contra as instituições e contra o povo brasileiro.”
  • As denúncias se inserem no escândalo conhecido como “Vaza Toga”, que revelou possíveis atuação informal e ilícita do gabinete de Alexandre de Moraes em investigações, incluindo produção de relatórios fora dos trâmites oficiais e direcionamento de ações contra figuras bolsonaristas.

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