O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Saulo Moura da Cunha, afirmou em depoimento à Justiça que alertou o Ministério da Justiça e o governo de transição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre os riscos de invasão a prédios públicos na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

A declaração foi feita durante sua oitiva como testemunha de defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, no processo no qual ele é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de envolvimento em uma suposta tentativa de golpe de Estado durante os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

Alerta ignorado?

Segundo Saulo Moura, a Abin teria enviado relatórios de inteligência detalhados ao Ministério da Justiça ainda em dezembro de 2022, semanas antes dos ataques. “Havia informações claras sobre a possibilidade de ações violentas e invasões. Ameaças reais à ordem institucional foram repassadas às autoridades competentes”, afirmou o ex-diretor durante o depoimento.

Cunha também afirmou que a agência reforçou os alertas no início de janeiro, incluindo o risco de que manifestantes acampados em frente a quartéis pudessem se deslocar para o centro do poder em Brasília.

Impacto no processo contra Anderson Torres

A defesa de Anderson Torres, preso em janeiro de 2023 e atualmente respondendo em liberdade, tenta demonstrar que houve falha coletiva no aparato estatal de segurança, e não omissão individual por parte do então ministro da Justiça.

Torres é acusado pela PGR de conivência com os atos golpistas, por ter se ausentado do país e supostamente desmobilizado as forças de segurança antes dos atos, além de manter em sua casa uma minuta de decreto de Estado de Defesa, vista pelo Ministério Público como indício de tentativa de golpe.

Próximos passos

O depoimento de Saulo Moura deve ser avaliado como parte do conjunto probatório do processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda estão previstas outras oitivas, inclusive de integrantes da equipe de transição e da cúpula da segurança institucional do governo Lula à época.

O caso permanece sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que também coordena outras frentes relacionadas aos atos de 8 de janeiro.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here