Um caderno apreendido pela Polícia Federal pode ser a peça-chave para desvendar um dos maiores escândalos de corrupção da história da Previdência brasileira. Em meio às anotações feitas pela secretária de Antonio Carlos Camilo Antunes – conhecido como Careca do INSS –, operador financeiro do esquema de fraudes que desviou bilhões dos aposentados, consta uma menção direta à “Justiça do DF”, associada a percentuais que levantam suspeitas de propina institucionalizada.

A revelação agrava o escândalo que atravessou três governos e envolveu servidores do alto escalão do INSS, entidades de fachada, consultorias e, agora, possivelmente o Judiciário.


📒 As anotações que comprometeram Stefanutto e Virgílio

Segundo fontes da revista piauí, em um dos mais de dez cadernos recolhidos na sede da empresa Prospect – de propriedade do Careca –, há registros que associam nomes e percentuais:

  • Stefanutto 30%” – provável referência a Alessandro Stefanutto, então presidente do INSS;
  • Virgílio 30%” – em possível alusão a Virgílio de Oliveira Filho, procurador-geral da autarquia;
  • Justiça do DF 15% ou 40%” – variação conforme a leitura dos investigadores.

A anotação foi feita pela secretária pessoal de Antunes, o que reforça sua autenticidade, segundo fontes ligadas à investigação.

Tanto Stefanutto quanto Virgílio foram afastados de seus cargos e são investigados formalmente pela Polícia Federal. Reportagens anteriores da piauí já haviam exposto o pagamento de propina ao procurador.


⚖️ Suspeita recai sobre o Judiciário do Distrito Federal

O envolvimento da “Justiça do DF” nas anotações causa alarme entre investigadores. Segundo apuração da piauí, há duas hipóteses sendo consideradas pela PF:

  1. Despesas judiciais ou honorários advocatícios com percentuais discriminados no esquema contábil paralelo;
  2. Repasse direto de propina a membros do Judiciário, o que configuraria crime gravíssimo e ampliaria o escopo da operação para os tribunais.

🚨 A Operação Sem Desconto e o impacto no país

Deflagrada em 23 de abril, a Operação Sem Desconto mobilizou 628 agentes federais, com 211 mandados de busca e apreensão e 6 de prisão temporária, em 34 cidades. O foco principal foi o desvio bilionário promovido por falsas associações de aposentados, que embolsavam mensalidades via desconto em folha, com a conivência de servidores e gestores.

Estimativas preliminares apontam um rombo de R$ 6 bilhões, atingindo pelo menos 1 milhão de beneficiários do INSS.


🧾 Auditorias engavetadas e biometria sabotada

A reportagem revela ainda que tentativas de conter as fraudes foram propositalmente enterradas por integrantes da alta cúpula da Previdência. Entre elas:

  • Proposta de cooperação da CGU com o INSS arquivada em janeiro de 2024;
  • Projeto de biometria proposto por Glauco Wamburg (presidente do INSS em 2023), ignorado pelo Ministério da Previdência;
  • Implantação sabotada da biometria da Dataprev, que funcionou por seis meses em paralelo com sistemas fraudulentos controlados pelas entidades do esquema.

🔍 Investigação continua e pode alcançar novos poderes

A Polícia Federal, segundo fontes da piauí, trata com prioridade máxima o conteúdo dos cadernos apreendidos. A depender do avanço das análises periciais e cruzamentos com transações bancárias, autoridades do Judiciário, do Executivo e até do Congresso podem ser implicadas.

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