Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), os brasileiros ficaram mais endividados e com mais contas em atraso em agosto de 2025.
Dados principais
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A proporção de consumidores com contas em atraso subiu de 30,0% em julho para 30,4% em agosto, atingindo o maior nível de inadimplência desde o início da série histórica da Peic, em janeiro de 2010.
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Em comparação com agosto de 2024, quando o índice era de 28,8%, a alta é de 1,6 ponto percentual.
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A parcela de famílias com dívidas a vencer (ou seja, obrigações pendentes, mas ainda dentro do prazo) também cresceu: de 78,5% em julho para 78,8% em agosto, maior patamar observado desde novembro de 2022.
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A proporção de consumidores que afirmam não ter condições de pagar dívidas vencidas (que devem continuar inadimplentes) também subiu: de 12,7% em julho para 12,8% em agosto. Um ano atrás era 12,1%.
Modalidades de dívida e percepção dos consumidores
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O cartão de crédito continua sendo a modalidade mais citada entre as dívidas que os consumidores declaram ter, embora sua participação tenha recuado ligeiramente frente ao ano anterior.
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Já os carnês de loja apresentaram crescimento em participação: 16,6% em agosto de 2025, frente a 15,6% em agosto de 2024.
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Sobre a percepção de endividamento: a parcela de pessoas que se consideram “muito endividadas” teve uma leve queda, de 15,5% em julho para 15,4% em agosto.
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Prazo de comprometimento: também observou-se redução na proporção de famílias com dívidas atrasadas por mais de um ano, de 31,5% em julho para 31,0% em agosto — menor nível desde fevereiro de 2024.
Causas apontadas e riscos
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A CNC destaca que o aumento da inadimplência indica que o endividamento pode estar ultrapassando a capacidade de pagamento das famílias. Juros altos, crédito mais caro e prazos menores contribuem para isso.
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O cenário econômico, com inflação ainda presente e salários que nem sempre acompanham plenamente, também é apontado como fator que pressiona o orçamento doméstico.
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É um sinal de alerta para os setores de comércio, serviços e turismo, que dependem do consumo das famílias. Maior inadimplência reduz poder de compra, retarda pagamentos e pode elevar o risco de concessão de crédito.
Implicações para os próximos meses
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Caso o endividamento e a inadimplência continuem subindo, há probabilidade de retração no consumo, o que pode impactar desde o varejo até a prestação de serviços básicos.
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Instituições financeiras podem endurecer critérios para crédito, aumentando exigências ou elevando taxas de juros.
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Educação financeira, renegociação de dívidas e políticas de proteção ao consumidor podem ganhar mais atenção, seja por entidades privadas ou por iniciativas públicas.





