O Tribunal de Justiça confirmou a responsabilidade da farmacêutica AstraZeneca no caso de uma promotora do Ministério Público do Rio de Janeiro que desenvolveu trombose com trombocitopenia, uma reação rara e grave, após receber a vacina contra Covid-19. A vítima, que estava grávida de cinco meses, faleceu junto com o bebê, gerando comoção nacional.
A decisão foi proferida pela desembargadora Marianna Fux, relatora do processo, que ressaltou que a empresa não assegurou a divulgação clara e adequada dos riscos relacionados ao imunizante. A magistrada é filha do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux.
Além de reconhecer a culpa da AstraZeneca, a Justiça condenou a farmacêutica a pagar R$ 3,75 milhões em indenização à família da promotora. A sentença também impôs multa à empresa pela tentativa de dificultar a realização das perícias técnicas durante a investigação judicial.
Reação rara e controvérsia
A trombose com trombocitopenia pós-vacinação, embora muito incomum, é uma condição que causou preocupação em vários países quando identificada como efeito adverso raro de algumas vacinas contra a Covid-19, entre elas a da AstraZeneca. A condição envolve a formação de coágulos sanguíneos associados à queda das plaquetas.
Especialistas apontam que os benefícios da vacinação superam em muito os riscos, mas casos como este reforçam a necessidade de transparência e informações claras aos pacientes sobre possíveis efeitos adversos, mesmo que remotos.
Impacto e repercussão
O caso ganhou ampla repercussão por envolver uma servidora pública de alto escalão, além da gravidez, tornando o episódio ainda mais delicado. Familiares e defensores dos direitos dos pacientes comemoraram a decisão, que pode abrir precedentes para outras demandas judiciais relacionadas a efeitos adversos de vacinas.
Por outro lado, a AstraZeneca divulgou nota ressaltando que a vacina passou por rigorosos testes e que tais efeitos adversos são extremamente raros, reafirmando o compromisso com a segurança dos imunizantes.





