O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liberou mais de R$ 200 milhões em emendas parlamentares para deputados e senadores que integram a CPMI do INSS, comissão mista criada para investigar o esquema de fraudes bilionárias contra aposentados.

Segundo levantamento publicado pela coluna de Cláudio Humberto nesta quarta-feira (27), os repasses foram realizados entre 1º e 22 de agosto, período em que a comissão foi instalada. Do total, R$ 113,7 milhões já foram pagos diretamente a fornecedores e prestadores de serviço. Outros R$ 90,8 milhões foram empenhados, ou seja, garantidos no orçamento como um “cheque pré-datado” para uso futuro.

Discrepâncias e partidos mais beneficiados

Enquanto alguns parlamentares receberam cifras milionárias, houve casos de titulares que não tiveram nenhum repasse, como a deputada Coronel Fernanda (PL-MT), autora do requerimento de criação da CPMI.

Já o PDT, partido do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, liderou a lista dos contemplados: apenas sua bancada na CPMI recebeu R$ 18,1 milhões em emendas liberadas.

Críticas à condução da CPMI

A instalação da CPMI, que deveria apurar a chamada “bandalheira contra aposentados”, começou sob críticas. Um acordo entre governistas e parte da oposição teria restringido as convocações de dirigentes sindicais e representantes de associações suspeitas de envolvimento no esquema.

Entre os poupados estaria o sindicalista Frei Chico, irmão do presidente Lula, que é dirigente do Sindinapi — sindicato acusado de embolsar mais de R$ 150 milhões de recursos destinados a idosos.

Na prática, os ex-ministros da Previdência devem ser apenas “convidados” a prestar esclarecimentos, sem a obrigatoriedade de comparecer.

Manobras políticas em paralelo

O noticiário político também foi marcado por movimentações que levantam polêmica. O ex-governador do DF, José Roberto Arruda, articula alianças com PL e PSD para tentar disputar cargos em 2026, enquanto tramita no Senado um projeto que altera a Lei da Ficha Limpa, reduzindo para oito anos o prazo de inelegibilidade.

O projeto é de autoria da deputada Dani Cunha (União-RJ), filha do ex-deputado Eduardo Cunha, também punido pela lei. Especialistas apontam que a proposta poderia servir como uma anistia disfarçada para políticos condenados por corrupção.

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