O mercado internacional de carne bovina vive uma reviravolta. Entre janeiro e junho de 2025, o México saltou de um volume modesto de 3,1 mil toneladas para 16,2 mil toneladas de carne brasileira importadas, crescimento de 423% no semestre, e superou pela primeira vez os Estados Unidos como segundo maior destino da proteína nacional — atrás apenas da China, líder absoluta das compras.

A mudança ocorre no rastro da crise gerada pelo tarifaço do presidente Donald Trump, que em abril impôs uma taxa global de 10% sobre produtos que entram nos EUA e anunciou que, a partir de 6 de agosto, a alíquota subirá para 50%.

EUA em queda livre

O impacto sobre o mercado foi imediato. Em abril, os EUA importaram 44,2 mil toneladas de carne brasileira, gastando US$ 229 milhões — um recorde. Em junho, as compras caíram para 13,5 mil toneladas (US$ 75,4 milhões) e, entre 1º e 28 de julho, recuaram ainda mais: 12,3 mil toneladas e US$ 68,7 milhões, uma redução de 70% em relação ao pico de abril.

México em ascensão

No sentido oposto, o México ampliou rapidamente suas aquisições: 3,1 mil toneladas em janeiro, 11 mil toneladas em abril e 16,2 mil toneladas em junho. Entre 1º e 28 de julho, o país comprou 12,1 mil toneladas de carne brasileira, gastando US$ 69 milhões e superando ligeiramente o volume americano.

O Chile também vem se destacando: em janeiro, gastou US$ 45 milhões em carne bovina brasileira; em abril, US$ 47 milhões; e em julho, mais de US$ 66,5 milhões — aproximando-se de México e EUA no ranking de importadores.

China mantém domínio

A China continua como principal cliente, respondendo por mais da metade das exportações brasileiras. Em junho, gastou US$ 740 milhões para adquirir a proteína, e, até 28 de julho, já havia desembolsado US$ 732 milhões para importar 132 mil toneladas — o segundo maior volume mensal da história.

Recorde de exportações

Mesmo com a queda nas vendas aos EUA, o Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, registrou em julho (dados até o dia 28) US$ 1,352 bilhão em exportações, superando o recorde anterior de junho (US$ 1,313 bilhão) e alcançando o melhor desempenho mensal da última década. O crescimento é de 30% em relação a julho de 2024.

Próximos passos e negociações

Com a confirmação da sobretaxa de 50% a partir de 6 de agosto, o governo brasileiro e o setor produtivo intensificam as articulações para tentar renegociar as tarifas com Washington.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), deve abrir um canal direto com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, visto no Planalto como figura-chave para influenciar Trump — até mais do que o secretário de Comércio, Howard Lutnik, que mantém conversas com o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Apesar das tensões diplomáticas, que incluem sanções dos EUA contra o ministro Alexandre de Moraes (STF), a posição do governo Lula é manter e até ampliar o diálogo econômico com os americanos, buscando preservar setores estratégicos como o de proteína bovina.

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