Desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil tem intensificado suas relações diplomáticas com o Irã, o que tem gerado preocupações entre aliados ocidentais devido à presença de instituições iranianas sancionadas e à possível expansão de redes ligadas ao Hezbollah na América Latina.
Recentemente, o diretor da Universidade Internacional Al-Mustafa, Ali Abbasi, visitou o Brasil. Essa universidade, sediada no Irã, foi sancionada pelo Departamento do Tesouro dos EUA em 2020 por atuar como uma rede internacional de recrutamento para a Força Quds do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC-QF), facilitando operações de inteligência e recrutamento de estudantes estrangeiros para atividades do IRGC-QF.
A Al-Mustafa mantém vínculos com o Instituto Cultural Islam Oriente, liderado por Mohsen Rabbani, apontado como mentor dos atentados à embaixada israelense em Buenos Aires em 1992 e à Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) em 1994, que resultaram em 114 mortes. O instituto, com sede em Bogotá, oferece cursos em toda a América Latina, inclusive no Brasil, em parceria com o Instituto Salam, também financiado pelo Irã .
A visita de Abbasi coincidiu com um encontro em Moscou entre o assessor especial da Presidência brasileira, Celso Amorim, e o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Akbar Ahmadian. Durante a reunião, Amorim expressou apoio ao direito do Irã de utilizar energia nuclear para fins pacíficos e destacou a importância da cooperação científica e comercial entre os dois países.
Além disso, em 19 de maio, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, visitou a embaixada iraniana em Brasília para prestar homenagem ao ex-presidente iraniano Ebrahim Raisi, falecido recentemente. Raisi era conhecido por seu papel na repressão a manifestantes e opositores durante seu mandato.
Outro ponto que chamou atenção foi a chegada de um Airbus A340 iraniano a Brasília no final de abril. A aeronave, pertencente à Mahan Air, companhia aérea sancionada pelos EUA por transportar equipamentos militares e pessoal para o Irã, realizou uma rara visita à capital brasileira, sem que o governo tenha fornecido explicações sobre o motivo da viagem.
Diante dessas movimentações, o Departamento de Estado dos EUA anunciou uma recompensa de até US$ 10 milhões por informações que levem à interrupção das redes financeiras do Hezbollah na região da Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. A área é conhecida por atividades ilícitas e por ser um ponto estratégico para o financiamento de grupos terroristas.
A crescente aproximação entre Brasil e Irã, incluindo a presença de instituições iranianas sancionadas no país, tem gerado preocupações sobre possíveis implicações para a segurança regional e as relações do Brasil com aliados ocidentais.





