Esteio (RS) – A 48ª Expointer, encerrada no último domingo (7), teve público recorde, mas fez história por outro motivo: um colapso quase total nas vendas de máquinas e implementos agrícolas. Os negócios caíram quase pela metade em comparação à edição de 2024, revelando uma combinação crítica de fatores que põem em risco o poder de investimento do produtor rural.
Os números e a crise
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Em 2025, a Expointer negociou R$ 3,777 bilhões em máquinas e implementos agrícolas, contra aproximadamente R$ 7,39 bilhões em 2024. A retração foi de cerca de 51%.
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No somatório geral da feira, que inclui outros setores, o faturamento foi de R$ 4,4 bilhões, uma queda de 45,4-45,7% em relação ao ano anterior.
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Apesar do resultado negativo em vendas, o público foi o maior já registrado na Expointer: mais de 1.010.020 visitantes, crescimento de cerca de 22,8% sobre o recorde anterior.
Principais causas apontadas
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Descapitalização do produtor rural: Uma sequência de safras comprometidas — devido a secas, enchentes e irregularidades climáticas — deixou produtores sem caixa para realizar grandes investimentos.
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Queda nos preços da soja: Commodity que impulsiona grande parte do agronegócio gaúcho, a soja vem em tendência de baixa desde 2022, reduzindo margens e liquidez para compras de máquinas.
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Dificuldade de crédito: Juros altos (como a taxa Selic em patamar elevado) e represamento no acesso a linhas específicas, especialmente o Moderfrota. Houve relatos de que as liberações para essa linha de crédito despencaram (dizem alguns levantamentos terem apontado queda de ~96% em agosto) comparadas às quantidades anteriores.
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Juízo cauteloso nos gastos: Com custos elevados para insumos, manutenção e financiamento, muitos produtores optaram por priorizar insumos básicos (sementes, fertilizantes) e postergar a compra de equipamentos mais caros.
Sem crédito acessível ou juros mais baixos, dificilmente haverá recuperação rápida das vendas de máquinas de grande porte.
A renda do produtor rural depende muito das próximas safras: se novas adversidades climáticas ocorrerem, pode-se agravar ainda mais o quadro de inadimplência e dificuldade de investimento.
A escolha por máquinas “inteligentes” e tecnológicas, embora atraente, pode se tornar um custo elevado se parte dos recursos instalados nas máquinas não for efetivamente utilizado.





