A Taurus Armas anunciou nesta quarta-feira (6) o início da transferência da linha de montagem da família G de pistolas da fábrica em São Leopoldo para os Estados Unidos, decisão diretamente relacionada ao início da sobretaxa de 50% imposta pelos EUA sobre importações brasileiras. O CEO Global da empresa, Salesio Nuhs, confirmou a medida após reunião com o prefeito Heliomar Franco (PL), realizada na sede da fábrica.

A sobretaxa, que entrou em vigor no mesmo dia, não excluiu armas de fogo e munições da lista de isenções divulgadas pela Casa Branca, afetando fortemente o setor de armamentos brasileiro. Para mitigar o impacto, a Taurus decidiu transferir a montagem final das armas para o solo norte-americano, utilizando peças produzidas no Brasil, onde a produção atual é de mais de 2.100 armas por dia.

Segundo Nuhs, a montagem das pistolas nos Estados Unidos deve começar em setembro, com capacidade inicial para fabricar até 900 unidades por dia. “O objetivo é que a taxação incida apenas sobre as peças, e não sobre o produto final, minimizando o impacto econômico na região”, explicou.

Ainda não há definição oficial sobre o futuro da planta em São Leopoldo nem sobre possíveis demissões, mas a empresa já busca apoio do governo estadual para amenizar os efeitos da taxação por meio do uso de créditos de ICMS.

O prefeito Heliomar Franco expressou preocupação com os empregos locais, ressaltando que cerca de 70% dos trabalhadores da fábrica residem na cidade e que a atividade econômica gerada pela empresa tem impacto direto na circulação financeira local. “A esperança era que o Governo Federal conseguisse resolver o tarifaço, especialmente para a Taurus, o que não aconteceu”, lamentou.


Contexto

O anúncio da Taurus ocorre em meio a um acirramento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, com o governo norte-americano impondo uma série de tarifas elevadas sobre diversos produtos brasileiros para pressionar negociações sobre comércio e propriedade intelectual.

O setor industrial brasileiro já sinaliza preocupação com o aumento dos custos e a possibilidade de deslocamento da produção para fora do país, o que pode impactar o emprego e a arrecadação tributária local.

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