Dois caças venezuelanos realizaram um sobrevoo de proximidade contra um navio da Marinha dos Estados Unidos, que operava em águas internacionais do Caribe, nesta sexta-feira (5/9). O Departamento de Defesa norte-americano classificou a manobra como “altamente provocativa” e afirmou que ela representa uma tentativa de intimidação.
De acordo com o Pentágono, o movimento da Força Aérea venezuelana teria sido planejado para atrapalhar operações militares antidrogas realizadas pelos EUA na região. O governo norte-americano destacou ainda que, apesar da aproximação arriscada, não houve incidentes físicos ou disparos.
Contexto da crise
As relações entre Washington e Caracas seguem tensas há mais de uma década, marcadas por sanções econômicas e acusações mútuas. Em 2020, os EUA acusaram o governo de Nicolás Maduro de envolvimento direto com narcotráfico internacional e intensificaram a presença militar no Caribe para monitorar rotas usadas por cartéis que atuam na região.
O sobrevoo ocorre em um momento de maior pressão diplomática. Recentemente, os EUA reforçaram críticas à condução das eleições parlamentares na Venezuela e ampliaram restrições contra integrantes do governo chavista.
Escalada de tensões no Caribe
O governo dos Estados Unidos determinou o envio de 10 caças F-35, aeronaves de última geração da Força Aérea norte-americana, para uma base aérea em Porto Rico. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (5/9) por autoridades militares à agência Reuters.
A medida ocorre em meio ao aumento das tensões com a Venezuela, após o sobrevoo de dois caças venezuelanos armados sobre o destróier USS Jason Dunham, que navegava em águas internacionais do Caribe. O Pentágono classificou a ação como “altamente provocativa” e parte de uma tentativa de intimidação.
Operações militares americanas
Os F-35 reforçam a presença dos EUA na região, que já inclui sete navios de guerra, um submarino nuclear de ataque rápido e aeronaves de vigilância. Segundo o Departamento de Defesa, o objetivo oficial é “conduzir operações contra cartéis de drogas e organizações designadas como narco-terroristas” que atuam no sul do Caribe.
O envio dos caças acontece apenas três dias após a Marinha americana atacar um barco supostamente carregado com grandes quantidades de drogas oriundas da Venezuela, em uma operação que deixou 11 mortos. A Casa Branca afirmou que tais ações continuarão.
Reação da Venezuela
Em resposta, o presidente Nicolás Maduro afirmou que seu país está pronto para “defender nossos mares, nossos céus e nossas terras contra a ameaça de um império em declínio”, sem citar diretamente os EUA. Além disso, a Milícia Bolivariana, força de reservistas venezuelanos, foi mobilizada em caráter preventivo.
Pressão política e sanções
A intensificação militar ocorre em paralelo a uma ofensiva diplomática e econômica. Washington acusa Maduro de chefiar o Cartel de Los Soles, classificado pelo governo norte-americano como organização terrorista. Além disso, o Departamento de Justiça dos EUA anunciou recentemente a apreensão de US$ 700 milhões em bens ilegais ligados ao líder chavista e mantém uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à sua captura.
Cenário de risco
Analistas internacionais alertam que o Caribe se tornou um dos pontos mais sensíveis da geopolítica hemisférica, com risco de incidentes militares entre as duas nações. Para os EUA, trata-se de manter pressão máxima sobre Caracas, enquanto para a Venezuela a movimentação é vista como ameaça à sua soberania.





