O general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército durante o governo Bolsonaro, gerou um novo ponto de controvérsia no inquérito que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado. Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (19), Freire Gomes afirmou que não pode confirmar a presença de Filipe Martins, então assessor de Bolsonaro para Assuntos Internacionais, em uma reunião no Palácio da Alvorada em 7 de dezembro de 2022, onde teria sido discutido um plano de ruptura institucional.
“Houve um assessor que eu não conhecia”, declarou Freire Gomes, detalhando que, na ocasião, foi “apresentado um memorando, um documento, foram lidos uns considerados e havia aspectos que consideravam uma Garantia da Lei e da Ordem, um Estado de Defesa, um Estado de Sítio”. O general ressaltou que, naquele dia, “o presidente apresentou apenas como informação” e que o brigadeiro Baptista Junior (ex-comandante da Aeronáutica) não estava presente.
A Versão da PGR e as Contradições:
A Procuradoria-Geral da República (PGR), baseando-se na delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid e em investigações da Polícia Federal (PF), sustenta que Filipe Martins participou ativamente dessa reunião e teria sido o responsável por apresentar a “minuta do golpe” aos comandantes das Forças Armadas.
No entanto, o depoimento de Freire Gomes ao STF apresenta uma aparente contradição com declarações anteriores. Em 1º de março de 2023, em depoimento à PF, o próprio general afirmou que Martins estava “possivelmente” na reunião. Já na sessão do STF, o procurador-geral Paulo Gonet chegou a afirmar categoricamente a presença do ex-assessor. “Eu não conhecia aquela pessoa. Ele, o assessor, apenas apresentou o documento e se retirou”, reafirmou Freire Gomes em sua oitiva, reiterando não reconhecer Filipe Martins.
O Caso Filipe Martins: Prisão e Desmentidos:
O próprio caso de Filipe Martins já é marcado por diversas contradições judiciais. Em fevereiro de 2023, ele foi preso pela PF sob a acusação de ter acompanhado Bolsonaro em uma viagem para Orlando, EUA, em 30 de dezembro de 2022, como parte de uma suposta tentativa de golpe. Contudo, a defesa de Martins apresentou provas robustas de que ele estava no Paraná naquela data, incluindo comprovantes de viagens pela Uber e passagens aéreas. Além disso, o governo dos Estados Unidos confirmou oficialmente que Martins não entrou no país na ocasião. Apesar da apresentação dessas provas, o ex-assessor permaneceu preso por seis meses antes de ser libertado.
A negativa de reconhecimento por parte do general Freire Gomes adiciona mais um elemento complexo ao inquérito, que busca desvendar a extensão e a autoria de um possível plano golpista. A investigação do STF, liderada pelo ministro Alexandre de Moraes, continua a coletar depoimentos e provas para elucidar os fatos e responsabilizar os envolvidos. A credibilidade dos depoimentos e a robustez das provas documentais serão cruciais para o desfecho deste caso de grande repercussão política e institucional no Brasil.





