O advogado Jeffrey Chiquini, novo defensor do ex-assessor especial da Presidência Filipe Martins, afirmou nesta terça-feira (8) que as autoridades dos Estados Unidos já identificaram quem falsificou supostos registros de entrada do cliente no país. Filipe Martins está envolvido na investigação sobre a suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Em entrevista à rádio Auriverde, Chiquini afirmou que não pode revelar, por ora, quem seria o responsável pela inserção de dados falsos no sistema migratório norte-americano. No entanto, ele classificou o caso como “gravíssimo” e insinuou que autoridades brasileiras estariam envolvidas na fraude.

“Já se sabe quem foi o responsável pela inserção falsa no sistema americano. É muito grave o que aconteceu, é criminoso. Tem agente público que deveria estar na cadeia pelo que fizeram contra o Filipe Martins”, disse o advogado.

Segundo Chiquini, a fraude teria sido cometida com documentos falsos que forjaram a entrada de Martins nos Estados Unidos. A investigação nos EUA, segundo ele, deve ser concluída até o fim deste mês. O advogado sustenta que há provas de que Martins não esteve no país na data em questão.

“Isso vai dar prisão para autoridades brasileiras”, declarou Chiquini, sem mencionar nomes.

Ligação com investigação do STF

A defesa internacional de Martins é conduzida pelo advogado Marcelo Almeida Santanna, que estava à frente do caso antes da entrada de Chiquini. O novo advogado passou a atuar especificamente na frente ligada ao processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações sobre a suposta tentativa de golpe de Estado após o pleito presidencial de 2022.

Martins foi preso em fevereiro deste ano durante a Operação Tempus Veritatis, deflagrada pela Polícia Federal (PF). Segundo as investigações, ele integraria o chamado “núcleo 2” do suposto plano golpista, responsável por apoio logístico e operacional às ações que visavam reverter o resultado eleitoral.

De acordo com a PF, Filipe Martins teria tentado fugir para os Estados Unidos em dezembro de 2022, no mesmo voo utilizado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) para deixar o Brasil antes da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A defesa, no entanto, nega a tentativa de fuga.

A Polícia Federal investiga se dados falsos foram inseridos em sistemas oficiais norte-americanos para simular a entrada de Martins nos EUA, informação que, se confirmada, poderia interferir no andamento do processo e na análise de possíveis rotas de fuga do ex-assessor.

Procurada, a Polícia Federal não se manifestou sobre as declarações do advogado.

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