O vazamento de conversas entre o ex-assessor Eduardo Tagliaferro e o ex-juiz instrutor Airton Vieira, ambos ligados ao ministro Alexandre de Moraes no STF e no TSE, gerou uma debanda na assessoria do magistrado, que segue desfalcada mais de oito meses após o início das mudanças.
Saídas na equipe
Em janeiro de 2025, Moraes dispensou Airton Vieira de sua equipe no STF, sem tornar público o processo ou fornecer detalhes sobre a mudança. Entre fevereiro e março, saíram também os juízes auxiliares Rogério Marrone de Castro Sampaio, que trabalhava com Moraes desde 2018, e André Solomon Tudisco, presente desde junho de 2024.
Com essas saídas, os juízes de apoio do ministro, responsáveis pela condução de mais de 2,7 mil processos, passaram de quatro para apenas um em três meses: o juiz auxiliar Rafael Tamai Rocha, que assumiu extraoficialmente funções de instrutor em processos criminais de alta relevância.
Função de juiz instrutor
O juiz instrutor é responsável por ouvir testemunhas, realizar interrogatórios e colher manifestações em acordos de colaboração premiada. No gabinete de um ministro com grande volume de casos criminais, como Moraes, o instrutor atua como braço direito do magistrado, função antes desempenhada por Vieira.
O caso Tagliaferro
Airton Vieira esteve no centro do caso revelado pelo jornal Folha de S.Paulo, que divulgou áudios em que ele e Tagliaferro compartilhavam informações do STF fora do rito legal para auxiliar decisões de Moraes no TSE. Um ano após o vazamento, Tagliaferro ameaça divulgar novas mensagens que comprovariam suposto direcionamento do ministro em processos contra bolsonaristas.
Recomposição parcial do gabinete
Moraes conseguiu recompor parcialmente a equipe em maio, com a nomeação da juíza auxiliar Luciana Yuki Fugishita Sorrentino, do TJDFT, que atuou de forma improvisada como instrutora, ouvindo dezenas de testemunhas.
Mesmo assim, o gabinete segue desfalcado, sem novo juiz instrutor e sem um auxiliar adicional. Moraes tinha autorização para quatro assistentes, enquanto os demais ministros do STF trabalham com três magistrados, com algumas exceções, como o ministro Cristiano Zanin, que possui dois juízes instrutores e dois auxiliares.
A situação evidencia como o “Efeito Tagliaferro” expôs fragilidades na equipe do ministro, afetando a condução de processos sensíveis e a dinâmica interna de seu gabinete.





