A crise no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ganhou novos contornos neste fim de semana após o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Carvalho, afirmar que o chefe da Casa Civil, Rui Costa, já tinha conhecimento prévio das fraudes que originaram a recente operação contra irregularidades bilionárias no sistema de descontos em folha.

A declaração pública de Carvalho, feita em entrevista neste sábado (8), rechaça as críticas do Palácio do Planalto, que vinham tentando atribuir à CGU uma suposta falha de comunicação interna. Segundo o ministro da CGU, houve alertas técnicosreuniões com a equipe da Previdência e informes formais sobre os indícios de corrupção no modelo de convênios com entidades privadas — considerados por ele o “ovo da serpente” do esquema.

Os acordos sob suspeita envolviam descontos diretos na folha de benefícios a aposentados e pensionistas em nome de associações e sindicatos, muitos deles ligados a interesses políticos, inclusive do atual governo. Carvalho disse que os primeiros indícios surgiram ainda durante o governo Bolsonaro, mas se aprofundaram com a continuidade dos convênios sem devida fiscalização.

A repercussão do escândalo forçou a demissão de Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência Social, após forte pressão política e críticas à sua atuação na condução do tema.

Carvalho negou qualquer blindagem institucional a entidades ligadas ao governo Lula e defendeu reformas estruturais no modelo de descontos automáticos em folha, com maior controle e transparência. “A CGU está cumprindo o seu papel com rigor e independência, sem seletividade política”, disse o ministro.

A crise expõe um racha entre alas técnicas e políticas do governo e pode gerar novos desdobramentos, inclusive com possíveis convocações no Congresso Nacional para que Rui Costa e demais envolvidos expliquem o que sabiam e por que não tomaram medidas antes da operação deflagrada pela CGU e pela Polícia Federal.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here