Um levantamento recente revelou que empresas ligadas a políticos brasileiros receberam pelo menos R$ 773 milhões em recursos provenientes de emendas parlamentares entre 2018 e o início de 2025. O montante, que representa cerca de 18% do total de R$ 31 bilhões pagos a fornecedores vinculados a emendas no período, expõe riscos significativos de conflitos de interesse e direcionamento de verbas públicas.

Dados e perfis

Entre os beneficiários, estão prefeitos que são empresários, suplentes de senadores, ex-funcionários parlamentares e congressistas cujas empresas recebem recursos indicados por colegas. A maior parte das empresas identificadas atua no ramo da construção civil — são 405 construtoras entre 736 companhias ligadas a políticos.

Mais da metade dos pagamentos foi feita por municípios com até 50 mil habitantes, principalmente no Nordeste, região que concentra a maior parte dos recursos.

Casos emblemáticos

O empresário e ex-prefeito de Betim (MG), Vittorio Medioli, lidera o ranking com R$ 69 milhões em pagamentos para sua empresa, Deva Veículos, fornecedora de automóveis para prefeituras. Outro caso é o do suplente do senador Davi Alcolumbre (AP), Breno Barbosa Chaves Pinto, cujas empresas receberam cerca de R$ 23 milhões em contratos com dinheiro de emendas.

O levantamento também mostra políticos como Ciro Nogueira (PP-PI), Yury do Paredão (MDB-CE) e Zé Adriano (PP-AC) com empresas que receberam recursos oriundos de emendas, assim como o ex-deputado Jean Wyllys (PT-RJ).

Riscos e críticas

Especialistas alertam que o modelo atual abre brechas para práticas impróprias e favorecimento, já que emendas podem ser direcionadas a empresas ligadas a políticos com influência sobre a gestão pública local.

“Esses dados evidenciam riscos à administração pública, como tráfico de influência e conflitos de interesses”, avalia Marina Atoji, da ONG Transparência Brasil.

Necessidade de maior transparência

Segundo Bruno Bondaravosky, criador da plataforma Central das Emendas, o país precisa de mais transparência e controle social para impedir o favorecimento político nas licitações e garantir que os recursos públicos sejam aplicados de forma justa e eficiente.

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