A crescente presença do Primeiro Comando da Capital (PCC) fora do Brasil tem acendido alertas em diversos países da América do Sul e da Europa. O avanço da facção criminosa nas fronteiras e centros urbanos da Argentina motivou o governo local a anunciar, nesta semana, a criação de uma força-tarefa nacional para combater e impedir a atuação do grupo em seu território.

Segundo o Ministério de Segurança argentino, 28 suspeitos com ligação direta ou indireta ao PCC já foram identificados no país — oito estão presos, enquanto os outros 20 permanecem em liberdade, sendo monitorados, investigados ou já com processos de expulsão em andamento.

As ações fazem parte do plano de enfrentamento à criminalidade transnacional organizado, sobretudo no Norte da Argentina, onde o tráfico de drogas, armas e a lavagem de dinheiro têm alimentado um cenário de violência crescente. As fronteiras com Paraguai e Bolívia são os principais pontos de tensão, com disputas territoriais violentas entre células ligadas ao PCC e gangues locais.

Rota do tráfico e influência regional

Nos últimos anos, a facção brasileira expandiu sua atuação além das fronteiras nacionais, usando países vizinhos como rotas logísticas para o escoamento de drogas da Bolívia, Peru e Colômbia até os portos da Argentina, Uruguai e, mais recentemente, da Europa.

Segundo o Observatório de Criminalidade Organizada da Universidade de Buenos Aires, o PCC já está atuando em pelo menos sete países da América do Sul com diferentes graus de influência, inclusive se associando a grupos locais ou cooptando facções menores.

O ministro da Segurança argentino, Patricia Bullrich, classificou a ameaça como “urgente” e afirmou que a resposta será “articulada e enérgica”. A nova força-tarefa terá o apoio da Gendarmeria Nacional, Polícia Federal, agências de inteligência e cooperação internacional com o Brasil e outros países da região.

Ameaça também atinge Europa

Relatórios da Europol e da Polícia Federal do Brasil revelam que o PCC também está estabelecendo operações na Europa, principalmente em Espanha, Portugal e Bélgica, aproveitando os vínculos com o narcotráfico sul-americano. A facção atua desde o envio de grandes remessas de cocaína até a lavagem de dinheiro em empresas de fachada.

A expansão internacional do PCC representa um novo desafio para a diplomacia e para as agências de segurança da América Latina, que buscam cooperação transnacional para enfrentar uma facção que, embora nascida em presídios paulistas, hoje tem estrutura empresarial e presença global.


A Argentina se junta agora a países como Paraguai, Bolívia e Uruguai na tentativa de conter o avanço da facção brasileira. O desafio, segundo analistas, é unir inteligência, vontade política e agilidade judicial — sem os quais, o crime organizado seguirá ultrapassando fronteiras com facilidade.

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