O programa Voa Brasil, uma das apostas do Governo Federal para democratizar o acesso a viagens aéreas, não decolou. Desde o lançamento oficial na última semana de julho, apenas 10 mil bilhetes foram vendidos, o que representa menos de 1% do total de três milhões de passagens ofertadas inicialmente pelas companhias Azul, Gol e Latam.
A primeira fase do programa contempla aposentados do INSS que não tenham voado nos últimos 12 meses. O governo previa beneficiar até 1,5 milhão de pessoas. A resposta do público, no entanto, foi muito abaixo do esperado.
Mesmo diante da baixa adesão, o secretário de Aviação Civil, Tomé Franca, afirmou que considera o resultado positivo. Em entrevista ao videocast Me Conta, Brasil, o secretário destacou que muitos dos que compraram as passagens nunca haviam viajado de avião. “São 10 mil pessoas que estão voando pelo Brasil e que não voavam antes”, disse.
🎯 Como funciona o Voa Brasil?
O Voa Brasil oferece passagens aéreas por até R$ 200 (fora a taxa de embarque) para destinos nacionais. O valor final pode ultrapassar esse teto, frustrando parte das expectativas. Além disso, a proposta inicial previa incluir estudantes do ProUni e pessoas com renda de até dois salários mínimos, mas até o momento apenas aposentados foram contemplados.
O programa é sustentado sem subsídios diretos do governo, e as passagens são oferecidas em períodos de baixa demanda, como março a junho e agosto a novembro, o que também limita o interesse imediato.
💸 Socorro bilionário às aéreas
Na contramão da baixa adesão ao Voa Brasil, o Congresso aprovou recentemente um socorro de R$ 5 bilhões às companhias aéreas, que enfrentam dificuldades financeiras causadas pela alta do dólar, combustíveis e recuperação pós-pandemia. Críticos apontam incongruência entre o volume de recursos públicos liberados ao setor e os resultados efetivos dos programas voltados à população.
📉 Repercussão
Nas redes sociais, o programa tem sido alvo de críticas por publicidade excessiva e resultados tímidos. Especialistas do setor aéreo destacam que o modelo atual do Voa Brasil não resolve o problema estrutural dos altos custos das passagens e depende fortemente de adesão voluntária das empresas.





