PF revela esquema com funerária para lavar dinheiro de aposentados no INSS; desvios ultrapassam R$ 36 milhões

A Polícia Federal (PF) identificou um esquema sofisticado de fraude envolvendo associações de aposentados e uma funerária, usado para lavar dinheiro desviado de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). De acordo com informações divulgadas pelo portal UOL, a funerária Global Planos Funerários, com sede no Ceará, teria sido usada para forjar a morte de aposentados e facilitar a ocultação dos recursos ilícitos.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram que a funerária recebeu mais de R$ 36 milhões em transações suspeitas: R$ 34 milhões da Caixa de Assistência aos Aposentados e Pensionistas (Caap) e R$ 2,3 milhões da Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen). Ambas as entidades também são investigadas por realizar descontos indevidos diretamente na folha de pagamento de segurados do INSS, muitas vezes sem autorização dos beneficiários.

A investigação aponta que parte do dinheiro obtido ilegalmente era “lavado” com a simulação de serviços funerários prestados a aposentados supostamente falecidos, permitindo que os recursos parecessem lícitos. A PF apura ainda se houve participação de servidores públicos ou conivência de instituições financeiras nesse esquema.

A revelação aumenta a pressão para a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) solicitada por parlamentares da oposição para apurar fraudes no INSS. A expectativa é que o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, leia o requerimento após o dia 27 de maio, dando início aos trabalhos de investigação legislativa.

O caso revela a fragilidade nos sistemas de controle do INSS e reforça a necessidade de maior transparência e rigor na fiscalização de entidades conveniadas e associações que operam com dados sensíveis de beneficiários.

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