A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã da última terça-feira (22/7) a Operação Route 156, que mira desvios e irregularidades em licitações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), com foco em contratos no Amapá e outras regiões do país.
Um dos principais alvos é Luiz Otávio Fontes Junqueira, presidente da LCM Construção e Comércio. A sede da empresa, em Belo Horizonte (MG), e a residência do empresário, em Nova Lima (MG), foram alvos de busca e apreensão. Na casa de Junqueira, a PF apreendeu três veículos da marca Porsche.
Fundada em 2014, a LCM acumula contratos com o governo federal que ultrapassam R$ 23 bilhões até o final de 2024, segundo dados do Portal da Transparência. Somente em 2023, o primeiro ano do governo Lula 3, foram cerca de R$ 10 bilhões em contratos firmados. No governo anterior, de Jair Bolsonaro, a empresa contratou aproximadamente R$ 6,9 bilhões.
Entre os contratos recentes, estão a manutenção da BR-235, na Bahia, e serviços emergenciais na BR-470, em Passo Fundo (RS).
Segundo a decisão judicial que autorizou a operação, laudos periciais apontam que a LCM participou de pregões com “vícios insanáveis” e “comportamento atípico”, como propostas com desconto nulo ou acima do preço de referência, simulando competição inexistente. O empresário teria se beneficiado do direcionamento dessas licitações e operado um esquema de lavagem de dinheiro, com saques fracionados realizados por terceiros, totalizando R$ 680 mil.
Além disso, cerca de R$ 418 milhões foram destinados à LCM por meio de emendas parlamentares, das quais R$ 71 milhões vieram do chamado “orçamento secreto”, sem transparência pública.
A LCM Construção e Comércio nega qualquer irregularidade e afirma colaborar com as investigações.





