No último domingo (20), o Japão realizou eleições para a Câmara dos Conselheiros, a casa alta do parlamento, que revelaram profundas transformações políticas. A coalizão governista, formada pelo tradicional Partido Liberal Democrático (LDP) e seu aliado Kōmeitō, perdeu a maioria após uma série de escândalos de corrupção, aumento do custo de vida e tensões comerciais com os Estados Unidos.

Enquanto o Partido Democrático Constitucional, de centro-esquerda, manteve-se como principal oposição, o destaque ficou com a surpreendente ascensão do Sanseitō, um partido fundado em 2020 que ampliou sua bancada de 1 para 14 cadeiras em um total de 248.

O Sanseitō, classificado pela imprensa local como de extrema-direita, adotou o slogan nacionalista “Japan First”, inspirado no “America First” de Donald Trump. Seu discurso é centrado no antiglobalismo, orgulho étnico e cultural, restrições severas à imigração, redução de impostos, estímulo à produção nacional e uma educação mais patriótica, sem influências “woke”. Liderado por Sohei Kamiya, ex-vereador de Osaka, o partido tem forte apoio entre homens jovens de 18 a 30 anos, que se identificam com seu discurso conservador e nacionalista.


Enquanto isso, na Europa, a esquerda enfrenta uma grave crise de popularidade. Na França, o presidente Emmanuel Macron alcançou seu pior índice de aprovação desde o início do mandato. Uma pesquisa IFOP/JDD divulgada no mesmo dia aponta que 81% dos franceses desaprovam o governo de Macron, enquanto apenas 19% aprovam, um recorde negativo na era moderna do país.

Nem mesmo durante os violentos protestos dos “Coletes Amarelos” a rejeição havia atingido esse patamar. O cenário reflete insatisfação com políticas econômicas, reformas controversas e desgaste político que fragilizam ainda mais a esquerda em escala global.


Contexto global:
Esses eventos no Japão e na França refletem um fenômeno maior de ressurgimento dos nacionalismos conservadores e dificuldades das forças progressistas tradicionais, em um momento marcado por crises econômicas, debates sobre identidade cultural, imigração e a polarização política.

A política mundial parece entrar em uma nova fase de rearranjos, em que o confronto entre globalismo e nacionalismo, e entre conservadorismo e progressismo, será determinante nos próximos anos.

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