O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), que tem como vice-presidente Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), está no centro de uma investigação da Polícia Federal. A entidade é suspeita de movimentar R$ 1,2 bilhão em seis anos, com indícios de descontos irregulares em aposentadorias e pensões e até de falsificação de autorizações de filiação de beneficiários do INSS.
De acordo com relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), a arrecadação do Sindnapi cresceu de R$ 17 milhões em 2019 para R$ 90 milhões em 2023, totalizando R$ 259 milhões no período. Os números chamaram atenção das autoridades pela escalada fora da média em relação a entidades similares.
A investigação ganhou força em abril de 2025, quando o sindicato foi incluído entre os alvos da Operação Sem Desconto, da PF, que apura um esquema de apropriação de valores de aposentados e pensionistas sem autorização.
Discrepâncias nos repasses e suspeita de filiações forçadas
Documentos oficiais revelam que, apenas em 2024, o Sindnapi teria movimentado R$ 154 milhões, valor que dobra o registrado pela CGU para o mesmo período. No mesmo intervalo, cerca de 68 mil aposentados solicitaram descredenciamento, indicando possível insatisfação com descontos não autorizados.
As apurações verificam se as filiações foram feitas de forma fraudulenta, sem consentimento dos segurados. Em razão das suspeitas, o governo federal suspendeu repasses a entidades associadas ao esquema até a conclusão das auditorias.
Defesa do sindicato
Em nota, o Sindnapi negou qualquer irregularidade e afirmou estar colaborando com as autoridades. A direção do sindicato alega que os recursos arrecadados têm origem em contribuições voluntárias e convênios regulares com associados.





