O cancelamento do visto norte-americano do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), gerou repercussão imediata no meio político brasileiro. Nesta sexta-feira (18), o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo Lula no Congresso, saiu em defesa do magistrado com uma resposta carregada de ironia e nacionalismo. Em publicação na rede social X (antigo Twitter), o parlamentar sugeriu que o ministro troque os destinos internacionais pelas belezas naturais do Brasil.
“Caríssimo ministro Alexandre de Moraes e demais ministros do STF, o Nordeste brasileiro tem as praias mais lindas do mundo, os nossos pampas e nossas serras gaúchas ou paulistas não ficam devendo aos Alpes Suíços, ou de qualquer outro lugar”, escreveu Randolfe.
O senador continuou exaltando as paisagens do país:
“Nosso sertão, com seus cactos únicos e sua paisagem de deserto belíssima. Nosso cerrado tem requintes fantásticos e, aqui no meu Amapá, estamos no coração da Amazônia para ver a maior reserva de água doce do planeta. Tenho certeza que os senhores não ficarão preocupados por não poder ver o Mickey, o Pato Donald e o Pateta.”
A reação bem-humorada veio em resposta à sanção anunciada pelo senador norte-americano Marco Rubio, que comunicou a revogação do visto de entrada nos Estados Unidos para Moraes, seus familiares e aliados. Segundo Rubio, a medida tem caráter imediato e é motivada por “ações autoritárias” atribuídas ao ministro, especialmente no que diz respeito à liberdade de expressão no Brasil e à perseguição judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Sanção causa tensão diplomática
A medida anunciada por Rubio reacende o debate sobre a atuação do STF e, em especial, do ministro Alexandre de Moraes, que é relator de inquéritos envolvendo Bolsonaro e seus aliados. Nos últimos meses, Moraes impôs medidas restritivas ao ex-presidente, incluindo uso de tornozeleira eletrônica, censura em redes sociais e restrições de comunicação.
Rubio afirmou que a decisão está alinhada com os princípios da Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que garante liberdade de expressão e impede a censura. A ação ocorre em meio a uma crescente pressão internacional — especialmente entre aliados de Donald Trump — que enxergam no Judiciário brasileiro um instrumento de repressão contra adversários políticos.
O Itamaraty ainda não se manifestou oficialmente sobre a sanção, mas o caso gerou inquietação no meio diplomático. De um lado, o governo Lula tenta conter a repercussão negativa e evitar um desgaste com a gestão Biden; de outro, membros do governo avaliam a medida como interferência indevida em assuntos internos do Brasil.
Apoio a Moraes cresce no meio político
A manifestação de Randolfe Rodrigues foi uma das primeiras dentro do governo federal em apoio direto a Moraes após o anúncio da sanção. Outros parlamentares da base governista e figuras do meio jurídico também demonstraram solidariedade ao ministro, que já foi alvo de críticas severas por parte da ala bolsonarista desde o início de sua atuação em processos relacionados a fake news, atos antidemocráticos e tentativas de golpe.
Apesar das críticas internacionais, Moraes segue como figura central na condução de inquéritos sensíveis e é apontado como um dos pilares do sistema de contenção institucional durante os episódios de instabilidade política no Brasil.

