Na sexta-feira (18), enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se tornava alvo de uma nova operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o governo federal utilizou suas redes sociais oficiais para publicar um vídeo institucional com forte apelo simbólico e nacionalista. A postagem — que trazia a frase “Sextou com S de Soberania” — foi interpretada por aliados de Bolsonaro como um deboche indireto ao ex-presidente, em meio à repercussão judicial e internacional do caso.
O vídeo exibia trechos de músicas com tom patriótico e frases como:
“Não mexe com o meu Brasil. Não mexe com a minha gente. Respeita o nosso direito de trabalhar e seguir em frente. Nosso país é soberano, você vai ter que respeitar. No nosso coração, é o Brasil em primeiro lugar. Respeita nós.”
A publicação foi feita horas depois da decisão do STF que impôs medidas cautelares a Bolsonaro, como o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno, restrições de contato com autoridades e suspensão total de suas redes sociais.
Resposta a Trump e tensão geopolítica
O vídeo faz parte de uma campanha oficial lançada pelo governo Lula com foco no tema da soberania nacional, iniciada após os Estados Unidos anunciarem um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros — medida que, segundo o governo americano, seria uma reação a práticas comerciais desleais e ao ambiente político brasileiro.
A mensagem institucional veio logo após uma carta aberta publicada por Donald Trump em apoio a Bolsonaro, na qual o ex-presidente dos EUA afirmou: “Este julgamento precisa parar imediatamente”. A declaração inflamou o debate diplomático, e a campanha brasileira passou a ser vista também como uma resposta à crescente pressão internacional contra o STF.
Lula publica vídeo à beira do rio: tom leve em dia tenso
Além da postagem institucional, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva compartilhou nas redes sociais, no mesmo dia, um vídeo caminhando às margens do Rio São Francisco, na Bahia. Em tom reflexivo e sereno, Lula falou sobre gratidão, fé e saúde:
“Estou feliz por mais um dia de vida, Deus foi muito generoso comigo. (…) Aprendi com a minha mãe a agradecer a Deus quando durmo e quando acordo, vim agradecer a Deus por esse rio. Segundo, estou com saúde.”
A coincidência entre os vídeos — um oficial, exaltando a soberania; outro, pessoal, transmitindo leveza e paz — provocou interpretações diversas. Para apoiadores do ex-presidente Bolsonaro, as publicações revelam uma tentativa do governo de “tripudiar” sobre o momento de fragilidade do adversário político.
Críticas da oposição
Parlamentares da oposição reagiram duramente à postura do governo. “Estão usando a estrutura pública para fazer provocação política. Isso não é institucionalidade, é deboche com dinheiro público”, disse o deputado Carlos Jordy (PL-RJ). Para ele, a publicação “extrapola os limites da comunicação oficial”.
Outros aliados bolsonaristas reforçaram a leitura de que o governo está utilizando recursos institucionais para ridicularizar adversários políticos em vez de zelar pela moderação num momento de alta tensão institucional e diplomática.
Campanha nacionalista em expansão
Fontes do Palácio do Planalto informaram que a campanha “Brasil Soberano” deve continuar nas próximas semanas, com foco em valorizar a produção nacional, os biomas brasileiros e a resistência contra “interferências externas”. A estratégia também mira a base petista e setores nacionalistas progressistas, como forma de consolidar apoio diante do agravamento das tensões com setores conservadores e com o governo norte-americano.

