A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vive mais um capítulo turbulento em sua cúpula. O presidente Ednaldo Rodrigues foi afastado do cargo nesta quinta-feira (15) por decisão do desembargador Gabriel de Oliveira Zefiro. O vice mais antigo da entidade, Fernando José Sarney, assume interinamente e será responsável por convocar novas eleições.

O afastamento de Ednaldo ocorre em meio a uma apuração de supostas irregularidades no acordo que o reconduziu à presidência da CBF, em 2022. A denúncia foi apresentada pela deputada federal Daniela Carneiro (União-RJ), com base em um laudo que aponta déficit cognitivo do então dirigente Coronel Nunes, cuja assinatura foi usada para homologar o acordo. Há suspeita de falsificação de documentos.

Na decisão, o desembargador afirmou que a eleição para a diretoria da entidade deve ser conduzida por Sarney, “na qualidade de interventor”, e destacou que ele deve convocar o pleito “o mais rápido possível”, seguindo os prazos estatutários.

Fernando Sarney, de 70 anos, é filho do ex-presidente José Sarney e atua como empresário no setor de comunicação no Maranhão. Ele foi eleito vice-presidente da CBF em 2022 na chapa de Ednaldo, mas foi um dos principais articuladores de seu afastamento. Sarney também tentou reverter a decisão do ministro Gilmar Mendes, que havia devolvido o comando da entidade ao baiano no início de 2024.

Além do processo judicial, Ednaldo é alvo de duas investigações internas na comissão de ética da CBF, incluindo denúncias de assédio e violação de regras administrativas. Uma das denúncias também foi encaminhada ao Ministério Público do Trabalho, mas acabou arquivada.

O STF deve julgar no dia 28 de maio a constitucionalidade do TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que permitiu a eleição vencida por Ednaldo. A decisão pode alterar todo o cenário jurídico da atual diretoria da CBF.

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